segunda-feira, maio 25, 2009

NAMASTÊ


Diante do Mar da Devoção,
A Mãe Divina pediu para eu mergulhar,
Eu disse não.

Ela sorriu pacientemente,
Já sabia da minha decisão.

Eu arrisquei uma explicação,
Disse que precisava da minha dúvida,
Que se mergulhasse,
Permaneceria apenas num caminho
E como estudante espiritual,
Precisava estar sempre aberto a novas trilhas.

Ela sorriu de novo
E deixou que eu seguisse minha opção.

Tentei convencê-la ainda mais
E disse que era espiritualista,
E a graça do caminho era seguir caminhando.
Ela ficou em silêncio,
Só ouvindo o meu "espiritualizando".
Quem eu queria enganar?
A Mãe Divina
Ou a mim mesmo?

Voltei ao mundo com o troféu da minha escolha
Em permanecer na segurança da ilusão,
Mas perdi a grande oportunidade,
Na presença da Mãe Divina,
De alcançar a libertação.

Não permiti que o Buda em mim surgisse, vai que o Sidarta estivesse errado.
Não permiti que o Cristo em mim surgisse, vai que o Jesus fosse crucificado.
Não permiti que o Krishna em mim surgisse, vai que o Gopala estivesse harikrishnado.
Não permiti que a Mãe Celestial em mim surgisse, vai que a Santa Rainha fosse meu ego inflado.

Confundi minha livre-escolha com o meu medo de estar errado.
Confundi meu livre arbítrio com a minha dúvida em me entregar com devoção.
Confundi minha liberdade com a insegurança do nunca escolhar um lado.
Confundi meu direito de acreditar ou não com a negação.

Estive diante da zona da fronteira
E ao invés de passar para o outro lado
Mais uma vez escolhi o conforto
da zona da indecisão
E dei o já caminhado passo para trás

Muitos gostariam de estar no meu lugar, só pelo direito de acreditar.
Muitos alcançam a luz com menos do que eu senti.
Muitos só precisam de uma pitada de luz para atravessar.
Mas muitos, como eu, estão viciados em setas seguir.

E diante do destino do que há por vir;
Usam a dúvida como muleta para não avançar,
E perdem a oportunidade perfeita de se graduarem
Como peregrinos da luz e descobrir
Que há muito mais a seguir...

Muitos confundem a verdade com a vaidade de sempre certo estar.
Muitos repetem para si mesmo o quanto estão firmes em seu caminhar,
Mas morrem de medo de admitir que podem estar errados
E perdem a oportunidade perfeita de descobrir
Que ao optar pelo caminho do UM
Estarão escolhando TODOS os caminhos.

Pois a mágica do Divino
É se entregar,
E ver em qualquer caminho
UM SÓ caminhar.

Se espiritualizar não é ficar sempre se espiritualizando.
Se espiritualizar é entregar-se sem medo aos muitos caminhos para o Divino.
Com a clareza que todos os caminhos são um só caminho.
E com a certeza que é se entregando que descobrimos que não precisavámos mesmo dos "ismos";

E é somente com devoção
Que compreenderemos a beleza desses caminhos,
Pois a devoção exige o caminhar com o coração
E para percorrermos esses passos
Precisamos nos livrar do preconceito e do medo
Que antes eram aliados
E agora são entraves
Dentro da nossa razão


Afinal, é somente com devoção que podemos aprender
A respeitar cada vez mais o caminho que o outro vê.
E só aí, podermos dizer
Com entendimento e compreensão:
NAMASTÊ!

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