segunda-feira, abril 20, 2009

ACORDEI

Acordei um dia e estava vivo.

Foi um tanto esquisito, confesso, pois apesar de já estar aqui, não estava consciente que estava presente.
Era criança, mas era o mesmo eu que agora recorda essa lembrança.

Demorou alguns anos; vai ver, meu corpo precisava estabelecer uma relação certa entre os meus neurônios para que eu pudesse me perceber, aqui de volta.

Acordei dentro de mim num dia de sol, quando meu eu-criança olhava para as nuvens.

Não tinha lembrança do que tinha vindo antes, e nem interessava o que viria depois, só o que importava eram as nuvens e se eu conseguiria mudar o formato delas com o poder da minha vontade. Conseguia!

Eu já conhecia as palavras, já sabia dizer o que queria e o que não gostava. Já exigia o que eu desejava com a manipulação das palavras e não mais com os gritos e com as lágrimas.

Embora eu não soubesse ao certo, o que pensar do futuro e como lidar com o passado; havia memórias que pareciam não ser minhas, mas que eram ao mesmo tempo, bem familiares. Havia vestígios de recordações de ter pertencido a outra família, ter tido uma outra vida que não aquela em que eu existia. É claro, lidei com esses pensamentos da mesma forma como lidei com as nuvens que eu não conseguia mudar: deixei passar!

Eu estava vivo e isso era tudo o que importava.

Por que estou te contando tudo isso?

Porque ontem eu acordei novamente, feito o meu eu-menino, e descobri que vivi um longo tempo dormindo.

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