segunda-feira, março 23, 2009

SEM SOM


SILÊNCIO

Lá no fundo do silêncio, onde palavra nenhuma é dita, mora a sabedoria.

A sabedoria é calada, não pode ser descrita, nem teorizada, talvez cantada, talvez poetizada, nunca discutida.

Lá no silêncio da alma cantam pássaros que não voam por aqui, pois são feitos de vazio.

Lá no silêncio da alma há poemas com palavras de nenhuma língua daqui, pois a comunicação é imediata e não possui fio.

E mesmo sendo daqui, conseguimos cantarolar essa melodia e ensaiar uma poesia que lembre levemente o que foi sentido, mesmo que não posssa ser totalmente compreendido.



EU DISSE: SILÊNCIO!


Quando mergulhei no silêncio desse mar, não sabia nadar, porém, atirei-me assim mesmo.

Queria ver o que há.

Queria o nada.

Queria ver onde iria dar.

Perdi-me. E não havia ninguém para me procurar.


Queria chamar a minha mãe, mas não lembrava como falar "mamãe".

Queria chamar a minha esposa, mas ainda não sabia dizer "mulher".

Balbuciei alguns sons.

Que sons?

Todos os sons que eu podia me lembrar, mas não expressava nada, daí pus-me a chorar.

E eu chorei, querendo ajuda para falar, querendo manifestar a minha expressão, querendo contar, querendo voltar a dizer qualquer nome em qualquer língua, mas eu ainda não recordava o ABC, nem o B A Bá!

Daí a moça de "olhos bondosos" veio me ajudar e me ensinou novamente a falar e foi pouco a pouco me trazendo de volta para o lugar onde vocês todos moram e eu voltei a viver; e eu sabia não mais poderia me afogar, pois peixe em áquario nada.

Moça dos Olhos Bondosos que veio me salvar, obrigado! Já consigo cronicar...

Um comentário:

PROSAS DO CADERNO disse...

Olá!

"Quando mergulhei no silêncio desse mar, não sabia nadar, porém, atirei-me assim mesmo.

Queria ver o que há."

Muito linda, bem desenvolvida a crônica. Quero crer que a moça de olhos bondosos seja a luz de cada dia!

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