terça-feira, novembro 11, 2008

Oxóssi é Quem manda na banda de meu coração

Oxóssi é Quem manda na banda de meu coração
O Caçador de uma flecha só)

By Tom Lobo Vermelho


Aquela noite foi muito inquietante.
Refletia sobre algumas coisas que tinha ouvido de alguns amigos espiritualistas.

Sempre havia percebido e agora havia confirmado: um preconceito enorme contra os seres da floresta. Como esses seres não usam turbante nem fazem posição de lótus, eram desprezados - mas de maneira velada - sob uma capa de um universalismo que, muitas vezes, não se sustenta por conta própria. Também me perguntava, de mim para mim mesmo, se eles não percebiam que na Floresta há toda uma hierarquia espiritual, e que todos viemos de lá...

Estava, no meio dessas reflexões, já em decúbito dorsal. A música com o som das águas curativas fazia um gostoso convite para a emancipação da alma. Suave e pacificamente saí girovagando pelo centro da barriga. E, em questões de instantes, voava para muito longe de minha casa e meu corpo. Uma força muito amorosa me guiava e eu não discutia, ia ao seu encontro.

Pousei, delicadamente, em um solo da floresta do interior do Estado de Goiás. E interessante é que eu sabia o que fazer. Deitei-me debaixo da Sagrada Árvore da Jurema. E deitei-me, novamente em decúbito dorsal, por inspiração de uma sábia e amiga voz. Mais uma vez sai do corpo. Desta vez, pelo cardíaco. Para minha surpresa, ele estava lá: Seu Ubirajara, Grande Mentor de outras plagas do Universo. Que emoção encontrar, novamente, esse Professor.

Como sempre, falava pouco. Percebi que havia estudo e trabalho pela frente.

Num átimo, estávamos num lugar que posso dizer: era puro Amor. O Sol Verde refletia cura, muita cura. Ao seu fundo, o céu azul claro piscava para nós.

Então, percebi: estávamos em Aruanda, mais precisamente no Jardim de Oxóssi.

Muitas Árvores Sagradas da Jurema rodeavam aquela Jardim. Animais que conhecia e desconhecia vieram me receber. Guerreiros-Caçadores vieram me abraçar, como se eu fosse um deles. Reconheceram em mim um Filho da Floresta, apesar da minha infantil idade sideral.

Seu Ubirajara tocou, suavemente, meu ombro para tirar-me daquela embriagues cósmica que começava a me tomar contar. Senti que o estudo e o trabalho deveriam começar.

Caminhando, através de uma pequena mata recheada por lindas Cachoeiras de Águas Cristalinas que exalavam cheiro de cura, chegamos a uma espécie de planície. Observei no céu azul claro uma grande nave que pairava uns duzentos metros do solo. Com uns mil metros de cumprimento e cinqüenta de largura, formato de uma FLECHA, saiam dela filamentos em direção ao solo. Caminhando rumo a uma depressão daquela planície, vi milhares de corpos espirituais ligados aos filamentos que vinham daquela nave. Eram espíritos de pessoas que morreram vítimas da HIV. Tiveram muito sofrimento físico em sua última encarnação e precisavam da energia das matas para a recomposição energética de seus corpos.

Fico paralisado e, patrocinado pela Sabedoria de Seu Ubirajará, sou conectado a
todos os doentes dali. Sinto cada uma de suas aflições e revoltas. Tomado por uma Grande Onda de Amor, uno minha essência a uma Causa Superior. Neste momento eterno, SOU Estrela de Aruanda. Ajudo, sem saber explicar com meras palavras, a todos os meus irmãos vítimas de uma doença tão terrível.

Após terminar essa ajuda, não pude conter meu lado humano e me lembrei de uma egrégora da Terra que nega a Presença da Espíritualidade, isto é, dos espíritos, seres que eles, na sua "enorme sabedoria", os denominam "ex-personalidades". Ah, quando desencarnarem vão realizar em suas faces o famoso sorriso amarelo da ignorância.

___ Não julgue seus irmãos, amigo. Cada um tem sua hora da verdade. ---foi o que Seu Ubirajara me disse, acordando-me daquela reflexão.

Visitei outros lugares daquele Jardim Verde.

Senti que o momento mágico estava acabando. Observei a face matreira de Seu Ubirajara. Quando ia perguntar o que estava acontecendo, senti sendo lançado pelo espaço, numa velocidade infinitamente superior a da luz. Era uma flecha minha essência... Passando pelo pelo segundo corpo, voltei para o primeiro. Acordei e ainda tive tempo de ver a imagem do Sol Verde se desmanchando, pois o cérebro véio queria o esquecimento.

Uma fina e perfumosa nuvem de névoa verde espraiava-se pelo meu quarto.

Não abri os olhos, pois não queria deixar de saborear aquela sensação amiga.

Minha gatinha Fofa pula no meu colo.

É hora de acordar e ir para o trabalho.

Mas, de uma certa maneira, meus olhos continuam fechados e minha percepção sobre a vida aumentou, pois deixei para trás muitas coisas que já não me serviam.

Quando Oxóssi atira Sua Flecha, é uma vez só.
Tiro certeiro e mortal.
Você cai, levanta-se, e nunca mais é o mesmo.

Salve a Linha de Oxóssi.
Salve todos os Orixás.
Salve todos os Trabalhadores da Umbanda.


Tom Lobo Vermelho - 03/10/08
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