sexta-feira, novembro 14, 2008

CRÔNICAS DA SEXTA DE NOVEMBRO

True Colors


Acompanho a carreira da Cindi Lauper desde os anos 80. Ouvir as suas canções é uma dessas coisas que guardo só pra mim; não preciso compartilhar as melodias que adoro com ninguém e nem tento convencer outrem sobre o meu gosto musical. Enquanto as Marias e Zés ouvem Madonna e Britneys, baseado ou não, pela moda musical; sigo ouvindo a transloucada autora de Time After Time, Girls Just Wanna Haven Fun e outros clássicos comerciais dos anos 80 e outras canções, estas sim, rentes ao meu coração, que ninguém jamais ouviu falar ou tocar: Boy Blue, You Don´t Know e Hot Gets A Little Cold.

Ontem à noite, assisti pela segunda vez, a Cindi Lauper cantando no Brasil. Show curto demais (Tudo sempre é curto demais quando gostamos de algo para valer). A casa de show Via Funchal estava repleta de fãns trintões, quarentões, mas também havia muita gente que deveria estar no show do “High School Musical 5”. Carismática, Mrs Lauper tentava a todo custo, entre uma canção e outra, falar português com a ajuda de um livro. Não conseguiu! O que ela conseguiu, porém, foi a proeza de lotar a casa de show e fazer com que o público reunido ali entrasse em profunda comoção quando ela cantou “True Colors”, uma das canções mais bonitas de todos os tempos.

O show poderia ter terminado nesse momento com chave de ouro, mas Cindi quis deixar uma mensagem de esperança e força para o povo brasileiro:

- Power to the people! – disse ela, antes de desejar feliz natal para seu público.

Mensagens do John Lennon á parte, faltou a minha cantora preferida, um estudo maior sobre o nosso país. Estamos bombando com crimes e corrupções, mas até onde é possível se iludir, não estamos na Venezuela. Ao invés de desejar “poder ao povo”, ela poderia ter deixado uma mensagem mais brasileira, tipo “Books on the table!”. Frase que não tem nada a ver com a incapacidade das nossas crianças em progredir em suas lições de inglês; mas tudo a ver com o fato de que o nosso povo precisa aprender a gostar de ler. Mrs Lauper, é na leitura que mora o poder para mantermos longe do poder qualquer governo totalitário, esse tipo de governo que a senhora acha que temos no Brasil. Na educação mora o poder para que nossas crianças compreendam que destruir escolas, bater em professores é machucar a si mesmo. Na educação que está a chave para sermos o país do futuro hoje!


EDUCANTO

Enquanto alunos destruíam uma escola na Zona Leste em São Paulo; em algum lugar da Zona Sul, um professor de inglês reunia dezenas de crianças para cantar num coral. A idéia era que elas se apresentassem em um evento cultural, e cantassem uma canção dos Beatles, para representar o ensino da língua inglesa na escola.

- Não acredito que você vá conseguir manter essas crianças paradas. – disse um dos professores do local.

- Cantar em inglês então, pode esquecer. – disse outra professora.

O professor pagou para ver e colheu uns frutos bem interessantes. O primeiro dia foi um caos, o segundo dia foi um pouco melhor, no terceiro dia fez-se a luz, ou melhor, a música. Sim, as crianças podem ser educadas com arte. Sim, as crianças podem ser guiadas para o lado do bem do aprendizado. Sim, é possível realizar um trabalho com uma escola localizada em uma região carente e ainda assim, sair vivo de lá e com um sorriso no rosto, ou melhor, com uma canção na mente e na boca.
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