segunda-feira, outubro 27, 2008

POVO VERDE

Era qualquer domingo de outubro de 2008, quando fomos para Monte Verde, sul de Minas, em busca da natureza. Dia frio, mas céu seguro; sem nuvens e sem perigo da chuva impedir a caminhada. Auri e eu planejávamos alcançar o topo da Pedra da Vista Prometida, de onde teríamos uma visão completa dos montes que fizeram o nome da cidade e saciaríamos a nossa sede de coisas bonitas para se fazer a dois.

Nunca tinha visto tanto beija-flor, na certa, eles foram atraídos pela nossa aura de amor ou por nosso entusiasmo em subir a montanha, cantando e celebrando, mesmo com o suor descendo testa abaixo e pingando nas pedras do caminho.

Fizemos uma breve pausa, para tomarmos água, e percebemos que estávamos sendo observados por olhos curiosos, quase invisíveis, que se disfarçavam de folhas no mato,galhos nas árvores , e cinza do chão.

- Será real ou nossa imaginação? - perguntou Auri, parecendo também ver o que aparentemente não poderia ser visto.

- Real ou não - respondi - se nós estamos percebendo, deve ser alguma coisa então.

Os outros caminhantes que passavam por nós, apressaram os passos, pois não queriam ficar perto daqueles andarilhos loucos que saudavam o povo da mata; os elementais da floresta. Eles devem ter achado a coisa mais estranha, ouvir aquele casal cantando canções de índios, de Umbanda, de filmes da Disney; qualquer canção que pudesse dizer ao povo verde, que se deixara ver, que eles os respeitavam; e talvez tenha sido por isso, que eles responderam de volta com canto de passarinho, galhos das árvores acenando e desfile de formiguinhas dançantes no chão.

- Amigos da floresta - disse a minha companheira - Obrigada pela saudação em forma de festa. Prometemos caminhar com cautela; não levar nada além de nossas lembranças e só deixar aqui a nossa satisfação por ter percebido que não somos os únicos indivíduos a habitar essa linda esfera chamada Terra.

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