sexta-feira, outubro 03, 2008

OS DOIS RUBENS E OS PÁSSAROS

Como Colombo, descobri as minhas Índias Literárias nas palavras de dois Rubens.

Que deliciosa descoberta foi conhecer Rubem Braga, navegar em suas crônicas, ancorar no porto da sua poesia e mergulhar nas águas cristalinas da sua prosa bem escrita.

Cronista aprendiz; nunca li leitura mais prazerosa e mais bonita, e se o Senhor Braga não estivesse, nesse momento, escrevendo as suas crônicas nas cachoeiras do outro lado da vida, eu iria até a sua cidade, Cachoeiro de Itapemirim, só para lhe dizer algo assim:

"Rubem, sou grato por cada palavra. OBRIGADO! Mas solta esses passarinhos, Senhor Braga, muito me admira um autor que faz tanta gente voar, prender esses bichinhos em gaiolas."

Contudo, tenho certeza que o cronista me expulsaria, afinal, dizem as más línguas literárias que ele já não era muito do cultivo de plantar e receber carinho do público. Ninguém é realmente perfeito, nem autor, nem leitor, mas eu, cronista e amante da liberdade, fiquei me indagando: como seria a poesia de Rubem, sem gosto de passarinho em cativeiro?

A resposta caiu na minha cabeça, quando eu procurava outro livro de Rubem Braga na Livraria Cultura do Conjunto Nacional: um livro com capa vermelha e preta, de um autor chamado Rubem Alves.

“ Pergutaram-me se acredito em Deus” era o livro que aparentemente era destinado a leitores que procuravam assuntos religiosos, mas olhei a contra-capa do livro, meio que sem esperar nada e eis o que li:

“ Se você não me conhece...Sou Rubem Alves, contador de estórias. Não é oficio que eu tenha aprendido. Nasci sabendo.”

Tornei-me fã automático.

Rubem Aves é um autor que as aulas de literatura dos cursos de Letras esquecem de mencionar. Uma pena, pois, se desejamos despertar o gosto pela leitura em futuros professores (e acreditem, há muitos aprendizes de professores de língua portuguesa se formando, que não gostam de ler), a leitura desse mineiro deveria ser obrigatória. Obrigatória? Nunca! Mal uso das palavras. Não há obrigação em ler esse autor, pelo contrário, lemos seus textos com prazer; sem esforço algum; os olhos deslizam pelas páginas com fome de ler mais. Como o próprio autor diz, escrever e ler são rituais mágicos e antropofágicos, onde o escritor se oferece para ser comido por meio das suas palavras e o leitor comerá (lerá) o texto, se o gosto for bom. Melhor analogia, nunca tinha lido.

Debravei os livros de Rubem Alves, pois são tantos, que eu nem sabia por onde começar. Readquiri o gosto da música clássica, descobri alguns mistérios por trás do véu da psicanálise, virei carpinteiro e já cultivo um jardim na minha cabeça de estudante de escritor e fiquei apaixonado pelo Pássaro Mágico que Rubem criou para explicar a sua filha que amor é bicho solto em liberdade, pois tudo o que tentamos aprisionar em nossas gaiolas, murcha, fenece, perde a graça.

Imagem: http://www.rubemalves.com.br/

Sobre Rubem Alves e Rubem Braga, corram para uma livraria ou biblioteca pública, mas é possível ter um gostinho virtual em:
http://www.rubemalves.com.br/
http://www.releituras.com/rubembraga_bio.asp

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