quinta-feira, outubro 30, 2008

O PARAÍBA COM UM MACHADO E OUTRAS CRÔNICAS

Crônicas de uma quarta dessas...

O PARAÍBA COM UM MACHADO

Quarta-feira, finalizo minha aula de inglês. O assunto do dia foi o
halloween, sua origem e significado; e para ilustrar melhor a aula,
disfarcei-me de "Morte", e com o capuz preto e um machado de
brinquedo, fui conduzindo os alunos por uma jornada que começa com o povo celta e acaba nas lojas brasileiras. Saio do serviço para casa, tenho pressa. Há uma palestra para ir e não quero me atrasar. Não tiro o escuro dos olhos, continuo parecendo o Governador José Serra, com olhos de vampiros e cara sinistra. O machado mal cabe na mochila, o cabo fica pra fora, e é parecendo alguém que saiu de um filme de terror, que entro no ônibus lotado. Procurando o meu passe, derrubo o
machado no chão; o pego de volta, mas é tarde, algo está ocorrendo com a multidão, pois enquanto passo o bilhete pela catraca, noto que o cobrador e dezenas de passageiros me olham assustados.

- Alguém chame a polícia! – comenta uma moça.

- Alô, é do 190? – fala um sujeito no celular - Tem um homem com um machado dentro do ônibus!

A ficha cai e percebo que eles estão se referindo a mim. O motorista para o ônibus em frente a um quiosque policial. Todos continuam olhando assustados, temerosos e quando finalmente, eu abro a mochila e mostro o machado de brinquedo, o pânico toma de conta, o motorista abre a porta, os passageiros tentam sair todos ao mesmo tempo.

- É de brinquedo! – explico para um ônibus vazio.O cobrador percebe o mico e dá risada, o motorista acena para a polícia e diz que não houve nada. Sento no melhor banco vazio com janela, aquele no alto, onde o sol não queima a testa.

Acabei de encontrar uma "arma" contra ônibus lotado...

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Na palestra...

Ouço com satisfação a palestra do Professor Wagner, onde humor, canção e espiritualidade, são unidos em um mix que faz transbordar o coração de qualquer estudante das coisas de lá e de cá. Vejo rostos tão conhecidos e outros nem tanto, o IPPB está lotado e percebo que alguma coisa bem especial está rolando nos bastidores do local aquela noite.

Wagner fala de um mantra que lembra a quem o usa sobre a Verdade do Espírito. Começo a escrever em meu bloco de notas o que ele diz...


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Em espírito e verdade¹...

A verdade não é dita, é uma lembrança. É algo que só podemos entender com o silêncio, com um respeito sincero pelo estudo. Essa verdade é a profundidade do espírito; não é uma palavra falada ou escrita; essa verdade é o que fala, o brilho dos olhos.

A verdade não se ouve; ela mora dentro; é um mantra que toca no peito; é a linguagem da alma, pois somente em espírito, percebemos essa verdade que Jesus falava.


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Festa do Nada

Não é natal, nem aniversário; mas eu levo um presente para a minha esposa. Não é páscoa, nem ano novo, mas preparo um jantar e abro a garrafa de vinho. Não é dia dos namorados e nem dia dos casados, mas trago também flores e um cartão com palavras sinceras.

Auri chega em casa e olha surpresa a festa:

- O que estamos comemorando? – ela pergunta.

- Estamos celebrando a gente; não é preciso seguir nenhuma data para celebrarmos o prazer de termos ao nosso lado, a pessoa amada.

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Estudar Sempre


- Quando serei graduado nos estudos da espiritualidade, mestre? – pergunta o discípulo.

- Nunca! – responde o mestre.

- Como assim? Estou aqui estudando para nada?

- Pelo contrário, você está estudando para tudo, por isso mesmo que esse estudo dura para sempre.



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Assassinato do Eu²


Um beija-flor veio me avisar que aceitei o convite fácil e vendi a
minha alma. Achava até então, que era somente com o Diabo que
podíamos a alma negociar.

Negociei meu dom da vida por uma pista dourada. Ofereci em troca a minha saúde e o sonho do meu espírito.

Não culpem o diabo, beatas! Eu quis a troca.

Procurando riqueza, acabei matando meu eu; o beija-flor não fala mais nada...

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Firmeza


Você tem firmeza para manter o que busca? Aceita pagar o preço do compromisso assumido com as regras do infinito? Ou você busca apenas o fenômeno, um passatempo, uma fuga da vida que você nem ao menos estuda, muito menos vive?

Você é caminhante de passo firme ou andarilho de passadas quase? Quando você pisa no chão, o faz com os dois pés firmes ou pisa tropeçando, se segurando em escoras ou em amigos com ouvidos e ombros de penico?

Quanto tempo você vai levar para desistir desses estudos? Quanto tempo você vai levar para virar a cara e renegar essa estrada?

Vai continuar? Mas está disposto a pagar o preço?

Comece tendo respeito pela verdade do espírito. Aceite o desafio: respeite o grupo onde você estuda e tenha firmeza, não largue a estrada, no meio da caminhada.


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A palestra acaba com novas crônicas escritas em meu caderno de notas, baseada nas lições que o Professor Wagner ensinou e com as palavras de Fernando Pessoa, esse escritor português, que pouca gente sabe ler direito, entender menos ainda:

" Viajar assim é viagem
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu. "

Cancioneiro, Fernando Pessoa³



30 de outubro de 2008
Frank Oliveira
http://cronicasdofrank.blogspot.com/

Notas do autor:
1. Palavras de Jesus Cristo
2. Frase do Upanishadis, livro sagrado hindú.
3. Esse fragmento pertence a poesia "O Cancioneiro" de Ricardo Reis, um dos heterônimos criados por Fernando Pessoa.

As crônicas acima, com excessão da primeira " O Paraíba com Um Machado", foram baseadas nos temas apresentados pelo Professor Wagner Borges na palestra para o Grupo de Estudos do IPPB - Inst. Pesq. Projeciológicas e Bioenergéticas, localizado no Ipiranga. Para mais informações sobre as palestras e cursos, acesse o link abaixo:
http://www.ippb.org.br/

Imagem: www.osvigaristas.com.br

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