sexta-feira, outubro 03, 2008

Jardim dos Sentidos

“Pensar é estar doente dos olhos” dizia Alberto Caeiro dentro de Fernando Pessoa. Caminhando pelo Jardim Botânico com a minha esposa, experimento o não-pensar por alguns instantes e permito que os outros sentidos me levem além do que aparenta ser isso ou aquilo. Deixo ser, apenas sou, pois quando penso sobre o que uma coisa é, nomeio, rotulo, prendo numa forma, que limita o ser.

Que dádiva ser qualquer bicho que não homem, bicho que apenas é, e vive intensamente suas sensações, mas a natureza me fez homem e sigo reaprendendo a sentir, desaprendendo a pensar, descobrindo outros milhares de sentidos. Tento enxergar com os meus ouvidos, escutar com o meu tato e tocar o mundo com o meu olfato e mesmo com tão poucos sentidos e tão limitados, percebo que o mundo se descortina em suas infinitas formas de maneira diferente em cada momento. Nenhum instante é igual ao outro; é isso o que me diz os meus ouvidos, é o que fala os cheiros; é o que demonstra os toques.

No Jardim dos Sentidos, as flores conversam comigo e noto uma rosa, compartilhando tudo comigo. Somos tão diferentes e tão iguais, que essa perfeição me assusta, mas calo a mente, pois casamento não é feito de pensamentos, assim como a vida, é feito de sensações e é muito bom ter essa rosa sentindo o mundo ao meu lado.

Nenhum comentário:

Ocorreu um erro neste gadget

AmazingCounters.com
Overtons Marine Supply