terça-feira, outubro 21, 2008

Ai, se sêsse

Se um dia nóis se gostasse

Se um dia nóis se queresse

Se nóis dois se empareasse


Se juntim nóis dois vivesse

Se juntim nóis dois morasse

Se juntim nóis dois drumisse

Se juntim nóis dois morresse


Se pro céu nóis assubisse

Mas porém se acontecesse

de São Pedro não abrisse

A porta do céu e fosse

lhe dizer quarquer tolice


E se eu me arriminasse

E tu cum eu insistisse

pra que eu me arresorvesse


E a minha faca puxasse

E o bucho do céu furasse

Távez que nóis dois ficasse

Távez que nóis dois caísse


E o céu furado arriasse

E as virgi toda fugisse



Texto: Zé da Luz, Severino de Andrade Silva, nasceu em Itabaiana, PB, em 29/03/1904 e faleceu no Rio de Janeiro-RJ, em 12/02/1965. O trabalho de Zé da Luz, como era chamado, ficou conhecido pela linguagem matuta presente em seus cordéis.

2 comentários:

direitinho disse...

Hoje cai aqui neste canto e quero dizer-lhe obrigado por estes poemas tão bonitos que nos deu a conhecer.
Não tive tempo para ler muito ,mas o que li me encantou.

Anônimo disse...

ameiiiiiiiii,lindo dms escritor!!

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