quarta-feira, agosto 13, 2008

CRÔNICA DE ENSINAR


Quanto tempo leva para formatar o conhecimento? Quanto tempo leva para materializar a sabedoria?

O conhecimento vira sabedoria, quando sai de dentro e é compartilhado com a maioria. O conhecimento vira sabedoria, quando aprender se torna ensinar e surpreendentemente descobre-se que se aprende ainda mais assim, com o olhar do outro, com o sorriso solto, com o lápis que não para de anotar o que é falado, mostrado e ensinado.

Professar é uma tarefa para poucos. Professar requer carinho, atenção, estudar, reciclar esse mesmo estudo, centenas de livros lidos, milhares de revistas compradas, artigos relidos, muita pesquisa e mais prática ainda. Poucos alunos lembram disso, daí o perigo de um curso gratuito com tanto conteúdo. O que não custa ao bolso, ofusca os olhos, mas um professor de verdade não se preocupa com isso. Ele professa o seu saber, pelo prazer de repassar o que aprendeu; com o carinho de quem ensina um filho a caminhar e sabe que mesmo que esse filho jamais o agradeça por isso, a tarefa maior foi feita e isso por si só, já é a maior recompensa para quem faz da vida, um ato de ensinar.


TEMPO

Coisa difícil é ensinar sobre algo que só faz sentido quando é bem vivido, mas o professor ensina, verbalizando idéias que para muita gente, nem pensamento se formaria. Ele fala da mente, do consciente e do inconsciente. Cita Freud, Jung, Wilber e tantos outros, cita até Buda, Jesus ou Krishna, se for preciso, se for necessário, tudo para que a mensagem chegue ao local exato. Se houvesse tempo para explicar melhor, mas não há. Duas horas escorrem pelos ponteiros do relógio, "coincidência", pois é do tempo que ele fala agora, e em perguntas, diz:

“ Por que os dias chatos se arrastam?
Por que os dias bacanas voam?
Por que os sonhos parecem durar forever?
Por que o tempo é tão relativo?

Qual é o segredo por trás do Deja Vu?
Inconsciente ou truque da mente?
Ficou doente ou mais consciente?
Isso também ocorre com tu?”

Todos levantam as mãos e olham para o lado assustados. Não são loucos sozinhos, são loucos acompanhados.

“ O tempo foge das mãos feito água
brincando de esconde-esconde
Toda vez que tentamos capturá-lo


O tempo é esperto e sábio
Quando queremos que dure mais, ele dura menos
Quando queremos que dure menos, ele dura mais.”


Não existe forma melhor de passar uma informação que ensinar com perguntas, suscita a dúvida, faz raciocinar. Ele assim faz, e todos percebem que o tempo assim como a mente e as nossas certezas, é bem relativo.


“ A percepção do tempo pode ser relacionada ao grau de nossa consciência”, ele explica e temos a impressão que o tempo corre. Se o tempo pudesse durar mais, se pudéssemos ser como o Yogue, que está realmente acordado, enquanto estamos sonhando; mas ainda estamos dormindo, por mais que juremos que estamos acordados.



DORMINDO OU ACORDADO?


“Passamos 30% da vida dormindo e 25% desse tempo, sonhando. Será que estamos mesmo acordados?”.

Claro que estamos acordados!

Claro?

Tarde demais, o professor lançou a dúvida e começamos a nos questionar: será?

“ Estamos dormindo acordados
Ou acordados dormindo?
Estamos acordados porque houve continuidade
Dos eventos do dia
Ou estamos dormindo porque os eventos do dia
Não continuaram?”

“Não estamos dormindo porque temos uma forte sensação de estarmos acordados”- muitos respondem - mas não temos essa mesma forte sensação de realidade e que estamos acordados quando sonhamos?

“ A realidade para quando estamos dormindo
Ou continua mesmo durante o sonho, mesmo quando não estamos acordados?
E quando estamos acordado, que garantia temos que não estamos na verdade, sonhando dormindo?”

Koans à parte, quem veio para o curso, buscando respostas fáceis, se enche de perguntas. Ouve, escreve, prossegue, mas se pergunta: “Será que há um moral da história por trás dessa confusão toda de estar acordado ou dormindo?”

“Sonho ou realidade, faça o melhor com tudo isso!” – o professor não diz isso, mas é a conclusão que ele insinua.


SILÊNCIO!

“Quando dormimos, há atividade cerebral durante todo o tempo, portanto, não estamos totalmente inconscientes. Quando estamos acordados, sonhamos o tempo todo” – ele explica – “ O problema é que a mente “lúcida” faz tanto barulho, que não conseguimos lembrar disso”.

Daí a importância da meditação, ele insinua novamente, enquanto fala dos benefícios dessa prática milenar:

“ Silêncio!
Desliga a TV, escuta uma música calma
Leia um bom livro, mesmo deitado
Cala a mente, escuta a alma
Pratique perceber que acordado
Você pode ver que está sonhando dormindo.

Pare o barulho, observe os pensamentos
São ondas passando
Beta, Alfa, meditação não é ausência
Só controle, Delta, Teta, deixar passar, deixar ir. Só observar
Relaxar, acordar e perceber que você está sonhando dormindo.

Estamos sonhando o tempo todo
Observe os padrões se repetindo
Perceba o onirismo, estude os símbolos
Mas o faça baixinho
Silêncio – tudo é sincronia
A linguagem dos sonhos é arquétipo
Não existe coincidência – acalme o pessoal e observe o coletivo

O inconsciente está falando o tempo todo contigo!”


A lição foi absorvida, Professor, obrigado! Agora, só falta virar sabedoria.


Frank Oliveira
13 de Agosto de 2008
Nota: crônica escrita durante o primeiro dia do curso “Sonhos e Sincronicidade”, ministrado pelo Professor Lázaro Freire, no IPPB.
Mais informações:
http://br.groups.yahoo.com/group/voadores/message/84233

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