terça-feira, julho 08, 2008

SALVATORE CACCIOLA

Era uma vez um prédio, um homem , uma mulher e um criminoso procurado pela policia.

Ela era acessorista do Mappin. Tinha orgulho de fazer parte daquela loja que tinha a cara de São Paulo.

Não se importava em trabalhar no centro da cidade, afinal seu emprego ficava em frente ao Teatro Municipal, e a Praça Ramos era, ainda sem tantas reformas, um lugar bonito e o Viaduto do Chá tinha um certo charme. Ganhava pouco, mas pagava as suas contas com o gosto, e dizia com muito prazer: "sou acessorista do Mappin".

Um certo dia, ela foi trabalhar e encontrou todos os seus amigos na porta da loja: o Mappin seria fechado! Desespero completo, pânico total. Quem pagaria as suas contas?

- Foi o Salvatore! Foi o Cacciola!- gritaram alguns, acusaram outros. Ela nem sabia quem era esse homem que estava presente nas faixas, nos gritos de protesto. Chefe para ela, era aquele sujeito ali, com o olhar desolador, que trabalhara por 35 anos na mesma empresa e que agora orava por uma salvação, alguém que lhe dissesse: "não se preocupe, você terá seu emprego de volta". Ele era parte da história daquela loja; daquele prédio que por mais de 80 anos, empregou pessoas e serviu a sociedade.

Ela então olhou o prédio que era até então a sua segunda casa e teve certeza que nunca mais veria aquele lar aberto novamente.

O prédio era puro silêncio, só observava as pessoas lá embaixo, protestando, querendo entrar e trabalhar. De portas fechadas, só restava o seu relógio funcionando, lembrando a todos, que seu o tempo havia passado.

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