domingo, julho 06, 2008

CORRENDO PELADO


Eles não imaginaram que eu fosse correr pelado. Acharam que eu falava da boca para fora, que era estória para amigo ouvir. Eu disse que estava morrendo de vontade de correr pelado. O dia estava quente, estavámos no meio da mata, em contato com as árvores, a natureza se descortinava ao nosso redor e a trilha convidava: solte-se!

Quantas vezes já sentimos vontade de correr sem roupas, rasgar os preconceitos, se desfazer das nossas coisas e seguir a vontade, sem explicar nada para ninguém, sem precisar prestar contas dessas coisas loucas que amamos falar que adoraríamos fazer; mas ninguém faz!

Ninguém fazemos porque somos engolidos pela sociedade, pelos deveres, por todos esses podes e não podes, pela decência, pela moral, pelos bons costumes; e toda a espontaniedade se escoa pelo ralo da vontade e o que vemos, são sonhos quebrados e desejos perdidos.

O que seria do mundo se todos que sentissem vontade de correr pelados, o fizessem? Seria o caos? A anarquia? O fim dos tempos? Ou seria um retorno a inocência? A volta a uma época, onde o nú era permitido, liberado, natural?

Foi pensando nisso que me desfiz de minhas roupas. A camisa foi jogada para cima, a calça jogada para baixo. Quando a última das minhas vestes caiu, meus amigos se deram conta que eu tinha cumprido o que havia prometido.

Que liberdade era correr sem roupas, que maravilha ser simplesmente pelado: pelado da opinião alheia, pelado de preconceitos, pelado para o mundo que me rodeia, pelado para todas as coisas que me prendiam.

O caseiro nem viu, nem a polícia foi chamada. O mundo não acabou, nem o sitio foi fechado pela comissão das Senhoras Católicas.

Depois de saciada a vontade, voltei para onde estavam meus amigos, vesti minhas roupas e encontrei pares de olhos assustados com a minha loucura aparente.

- Quem é o próximo?

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