quinta-feira, julho 24, 2008

BOSSA NA OCA

Nunca vi o Parque do Ibirapuera tão cheio. É feriado de meio de semana , a população de São Paulo inteira veio pra cá. Caminho com a Auri em direção a Oca, há uma exposição sobre os 50 anos da bossa nova.

Não sei muita coisa sobre esse ritmo que tanto influenciou a música nacional ( e internacional), mas estou disposto a mergulhar no novo, mesmo que para boa parte das pessoas, a bossa seja algo do passado.

O QUE É BOSSA?

Seria a bossa, só um banquinho, um violão, um cantor e alguma música sobre amor ou solidão? Que gênio foi Vinicius que não bastou poeta e quis explodir também em melodia? Pelejou até encontrar o tom certo e finalmente uniu-se ao Jobim; mas a bossa não estava completa, sem aquele toque baiano, e nada seria mais belo que um tal de João Gilberto que tinha a voz com som de mar.

“ Melhor que isso, só o silêncio
Melhor que o silêncio, só o João”
Caetano Veloso

E que batida revolucionária de violão, num canto quase falado, livre de excessos, melodia rica numa harmônica perfeita.

Como um barquinho, a bossa foi seguindo, numa tarde caindo em Itapoã, em Ipanema, em Copacabana com a voz doce da Nara, da Maysa, da Elizete Cardoso e outras tantas representantes que nem mesmo Elis Regina poderia dar conta de interpretar.

Chega de saudade, pois a bossa nunca partiu, foi ficando. Está na América do Sérgio Mendes; na aquarela de Toquinho e mesmo sem Vinicius, sem Jobim, ainda temos a chance de ouvir outros tantos Gilbertos e descobrir que a bossa ainda é nova, e não tem a menor chance de acabar.


O SOM DO SILÊNCIO

Há na exposição “Bossa na Oca”, uma sala chamada Silêncio. As pessoas fazem fila para entrar, mas não sabem o que vão encontrar.

Entro na onda, sou curioso. Quero descobrir também o que o Silêncio pode me mostrar.

Entra duas pessoas por vez. Espero ansioso e vou lendo a reação de cada rosto.

O casal a nossa frente, entra na sala e 30 segundos depois, saem de lá, com caras de desapontados.

- Pegamos essa fila toda – disse a moça – E não escutamos nada!



AMOR, SORRISO E FLOR

Coisa mais gostosa é ouvir João Gilberto. Ele tem esse som de canção pura; consegue falar tudo no cantar pouco.

“- Dá até vontade de chorar”.

Bossa é descobrir que menos é mais – preciso dizer algo mais?

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