terça-feira, junho 10, 2008

INCOMUNICÁVEL

Ane estava pálida. Seus olhos buscavam alguma explicação no rosto de Odlavir. Ela queria entender,aceitar e compreender o que estava ouvindo, porém, tudo era muito estranho. A impressão que ela tinha era que ele falava outra língua.

- Σε αγαπάω, S' agapo, M' agapas?- explicava Odlavir, não conseguindo por em palavras o que queria expressar. Se não conseguisse, ele perderia Ane para sempre.

- Não Faz sentido! – ela dizia. Cabeça balançando em negação, olhos de tristeza. Sentia que perdia todo o respeito e consideração que tinha por seu amigo.

- Люблю тебя всем сердцем, Ya tebyA lyublyU , LyublyU tebyA vsem sErtsem, vsEy dushOyu, Люблю тебя всем сердцем, всей душою.

Ela não aceitava o que Odlavir tentava dizer. Aquilo não tinha o menor sentido. Nada do que ele dissera correspondia ao formato do mundo: não era quadrado, redondo, não possuía uma forma conhecida, não funcionava na realidade.

- Ngo oiy ney a, Aishiteru, Sarang Heyo – continuava Odlavir, insistindo em perseguir as palavras certas, a frase mais bem dita, que pudesse fazê-la entender os motivos da sua ação. Não conseguia! Era melhor desistir e pagar o preço por ter tentado explicar a linguagem do seu mundo para Ane. Deveria ter mentido, usado palavras do mundo dela. Agora era tarde demais.

- Te ubesc, Ti amo, Je t'aime, Je t'adore, Taim i' ngra leat – disse ele, tentando uma última vez explicar - If you love somebody, set them free. Se eu te amo e tu me amas, e um amor a dois profana, se esse amor ficar entre nós dois vai ser tão pobre, vai se gastar... pois amor só dura em liberdade. Sofro, mas eu vou te libertar.

Então, ela começou a compreender. O que ele dizia começava a fazer sentido. Era tão simples e pela ausência do complexo, era difícil de aceitar que ele dizia a verdade. Ela já acreditara em verdades mentirosas antes e já havia engolido muita mentira revestida de verdade em nome do amor, mas aquilo que Odlavir dizia era coerente, fazia sentido. Seu amigo estava sendo honesto, por mais que o que ele dissesse soasse surreal e absurdo.

- Eu compreendi o que você está querendo dizer – disse ela por fim. Ele sorriu, conseguira expressar o incomunicável.

Um comentário:

Anônimo disse...

Nossa! Gostei até demais. Inicialmente, quero parabenizar um jovem e bom escritor, genuinamente brasileiro por me proporcionar tão prazerosa leitura. Tens uma forma empolgante, simbólica de mergulhar o leitor na tua trama, cara. Parabéns, de verdade! No mais, gostaria que visitasse meu recanto e lesse algum texto que mais o convier no momento. Sugiro que acompanhe SEGREDOS DE CRISTO. Voltarei outras vezes, amigo. Um abraço!
Enviado por Cláudio Quirino em 10/06/2008 08:47

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