terça-feira, maio 13, 2008

PASSOS DA ALMA

Dou um passo para frente, volto duas casas para trás. Lembro por um segundo da minha casa na praia do infinito e logo depois tudo se vai numa onda, vira lembrança de sonho ou promessa de político. O que há com essa tal da espiritualidade? Que força é essa que me impede de lembrar?

Até parece conspiração. Desconfio que deva haver Homens de Preto apagando a minha memória, logo depois que eu vislumbro um pedacinho da vastidão do universo; só assim para explicar porque aquela lembrança de projeção da consciência que era tão forte e real ontem a noite, agora mais parece devaneio, ilusão criada por reações químicas provocadas por falta de oxigênio no cérebro; mas eu sei que se forçar um pouquinho a memória, e a mente racional não atrapalhar, consigo até lembrar da cor das asas e da euforia de voar pela Rua do Carmo, meio torto, meio caindo; sentindo uma extrema sensação de liberdade e familiaridade.

Um pequeno passo da alma e um gigantesco salto para o ego. Sou leve, sou folha ao vento. Sou Fernão Capelo Gaivota, sou pássaro preto. Livre da gaiola, abraçando o mundo. O céu convida para a dança e eu bailo pelo ar.

Queria planar assim por horas, mas caio do cavalo astral e abro os olhos no corpo físico. A lembrança ainda ao lado, deitada na cama, entre eu e minha mulher.

- Auri, voei de novo! – acordo a esposa. Ela ouve, será que escuta?

- Claro! – diz ela - Se for voar de novo, não se esqueça de fechar a janela, está frio!

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