quinta-feira, maio 01, 2008

MEDO DE BARATA

Tenho medo de barata! Ufa, finalmente contei, revelei, consegui. Meu terapeuta vai ficar orgulhoso, meus amigos vão rir e fazer piadas pelas minhas próximas cinco vidas.

Mulher com nojo de barata, até ai tudo bem, mas homem? Fala sério! Sim, eu falo seríssimo, mas complemento não é medo assim como ter medo de ser assaltado, sequestrado ou perder a namorada ou o emprego - é fobia! Nojo da pior forma. Repulsa crônica causada por trauma. Eu explico, quem sabe os caras param de dar risada.

Eu tinha quatro anos. Lembro bem, pois foi no dia que meu irmão mais novo nasceu. Era Janeiro de 1977, meus pais, deixaram eu e meu irmão mais velho na casa da vizinha, que era amiga da minha mãe e tinha 4 filhos que constumavam jogar bola com a gente. Naquela epóca era natural, brincar na rua. Não existia perigo eminente de sequestro, traficante ou pedofilia; e o único perigo que corríamos era sermos pegos pelo "homem do saco" que diziam nossos pais, roubava as crianças que eram desobedientes.

Não sei onde meu irmão estava, mas lembro que jogava futebol com a molecada da vizinha, quando o mais velho dos moleques, chutou a bola para longe do campo e a bola caiu dentro de um bueiro de esgoto. Adivinha quem teria que pegar a bola? Ninguém queria ir e depois descobri o porquê. A tampa do bueiro estava aberta e eu pude ver a bola presa na lama. Comecei a descer por uma escada, mas a vontade que tinha era de vomitar com o cheiro forte de esgoto e excrementos. Desci o mais rápido que pude e ao pisar no chão, senti que estava com os pés numa gosma que lembrava lama. Ignorei a sensação, peguei a bola e voltei para a escada.

- Joga a bola! - os meninos gritava lá em cima. Mas antes que eu pudesse fazer isso, comecei a notar um movimento nas paredes e no teto do bueiro. Estava tudo semi-escuro, mas pela luz que vinha de cima, eu pude ver que não estava sozinho. Nem precisava ser um expert em insetos, para reconhecer que aquele lugar estava infestado com baratas. Eu não sabia se elas eram baratas geneticamente modificadas para aterrorizar humanos, mas elas avançaram em cima de mim.

- Baratas! Baratas! - comecei a gritar, enquanto elas subiam pelo meu short, por minha camisa e entravam pelo meu cabelo.

Estranho como o tempo de vez em quando, dá um salto. Nunca consegui entender bem, como em um instante, eu estava coberto de baratas e em outro, eu estava limpinho, deitado numa cama, dentro da casa da vizinha. Teria sido apenas um pesadelo?

- Ele vai ficar bem! - disse uma voz estranha, conversando com a vizinha. Era um homem e como se vestia de branco, ou era um anjo ou um médico - Sirva um leite quente e em hipotése alguma mencione o que ocorreu com el...

A vizinha fechou a porta e as vozes foram diminuindo, até que os quatro moleques entraram no quarto gritando:

- Neguinho das baratas! Neguinho das baratas!

As crianças conseguem ser mais cruéis que os adultos e certos traumas podem criar fobias que duram por anos e as vezes, pela vida inteira. Cada pessoa com seus medos, fobias e por mais que possa parecer um medo bobo para vocês, como perceberam, tenho meus motivos para evitar cruzar o mesmo caminho que as cucarachas. E vocês, sejam honestos, têm medo do quê?

Frank Oliveira

Ilustração: http://desenhosedevaneios.blogspot.com/2007/05/desenho-21-acho-campanha-contra-barata.html

7 comentários:

Anônimo disse...

frank
adorei sua confissão! vc nao ficou mais leve??? tenho certeza que sim!
quiçá ! todos nós vencessemos nosso orgulho e contassemos nossas fraquezas
que no fundo demonstra uma grandeza! parabens! vc está no caminho da cura!!!

Dirce Maria ( via e-mail)

Anônimo disse...

Cabra!!!!

Êta coisa boa.....
Entre gargalhadas e lágrimas,
um orgasmo mental, por assim dizer...

Gostei demais de ler, sentir, visualizar e interagir com seu "Uni-verso"

A sincronicidade...

A história do xamanismo começou quando eu percorria as páginas da rádio do IPPB e lá tem:

Viagem Xamanica
http://multimidia.ippb.org/2008/02/28/viagem-xamanica-entrevista-com-vitor-hugo-franca/

Eis que estava me aprofundando no xamanismo, quando me deparei com um tal
Santo Daime e lá fui eu saber do que se tratava, eis que cai na página
www.saindodamatrix.com.br/archives/2005/12/santo_daime.html - 28k -
e lá estando, quando terminei de ler, fui ver os comentários, no final diz assim:

Leitura recomendadíssima:
Dungeons, Dragons & Daime (ou o Daime na Caverna do Dragão)
http://cronicasdofrank.blogspot.com/2008/03/dungeons-dragons-e-daime.html

Ahhh... cabra!!! aki começa a maratona da euforia...

MEDO DE BARATA

Não pude deixar de rir, chorar e me compadecer...(Também tenho traumas)

Másss o mundim é piqueno messsmo...

Percorrendo suas páginas me deparei com o IPPB, vixee!!! quanta sincronicidade...

Eis que, de um link do seu blog retorno ao IPPB,

Adorei a sua crônica de sincretismo

Ahhh.. eu moro pertinho de OSASCO aki no CEAGESP

E assim foi a minha tarde, com sua agradável companhia,

Abençoado seja os seus dias e toda Luz que flua para o bem dos seres mortais.

Um forte beijo e abraço a você Frank a sua esposa e demais que iluminem o Universo.

Denise.

(Via E-mail)

Anônimo disse...

E eu, que tenho medo de... galinhas!!!

Ah, pode rir, mas se eu contar você vai entender e concordar: galinhas são seres
perigosíssimos!!!

Veja: eu tinha uns 4 ou 5 anos. Meu tio me levou pra passear, e no caminho
decidiu visitar "uma amiga"... Bom, lá chegando, era um quintal de terra, ele e
a amiga se trancaram dentro da casa e me deixaram do lado de fora - sob severas
recomendações dele pra eu não fazer nenhuma bagunça etc.

Avistei uns animaizinhos que me pareceram adoráveis e eu - que já nessa época
era completamente louca por cachorros, julguei que todos os bichinhos fossem
assim fofinhos e carinhosos como os cachorrinhos... Ai, eu era tão inocente, bem
sagitariana. Minha fé foi violentamente abalada naquele dia.

Pois fui fazer carinho numa galinha - achando que era algo como um cachorrinho.
Por razões que não entendo bem, a galinha estúpida não entendeu o carinho, assim
que eu cheguei perto e toquei o dedinho delicadamente na cabecinha dela, partiu
pra cima de mim bicando os meus pés. Garanto, sem exagero: doeu tanto quanto
mordida de cachorro (já tomei algumas mordidas, cachorreira que sou. Mas não
tenho medo nem de pitbulls).

Perdi o chinelinho na corrida, e a danada da galinha não desistia, que
persistência, meu pé já tava uma peneira, todo furado, e ela correndo atrás de
mim. E eu não gritava, pra não incomodar o tio e a amiga lá dentro,
entretiiiiiidos que só eles...

Fiquei com o pé estraçalhado, magoada com a incompreensão da galinha, e aind al
evei um monte de broncas do meu tio que já era uma´péssima pessoa desde aquela
época. E o pé - cheio de terra do quintal por horas que ainda fiquei ali
esperando os dois terminarem - infeccionou e me custou umas noites de sono, com
febre e tudo...

Até hoje atravesso a rua quando cruzo uma galinha, passo longe. Porque, pode
acreditar, elas sempre correm atrás de mim (é sério, juro! Disseram que é porque
sentem cheiro do meu medo, mas acho que fazem só de sacanagem mesmo, é pessoal.


E assim vai a vida.

Luciana
p.s.: eu também tenho PAVOR de baratas. Mas não sei a partir de qual momento,
porque me lembro que quando era pequenininha eu brincava de rodar as baratas
pelas anteninhas! Credo!
( Via Voadores)

Anônimo disse...

De baratas, armas de fogo, escada rolante,cobras.....acho que é só. Se me lembrar de mais algum te digo depois.bjjssssssoninha
Enviado por Sônia Maria Cidreira de Farias em 01/05/2008 11:25

Recanto das Letras

Anônimo disse...

CARO FRANK, SAUDAÇÕES. PARCEIRO, EU TENHO " B A R A T O F O B I A" TÁ SATISFEITO, CONFECEI.
Enviado por dy corrêa em 01/05/2008 11:07
( Recanto das Letras)

Nessa disse...

morro de medo de ETs.

Anônimo disse...

Olá Frank,
Pelos vistos vc, e eu também , não estamos sós nessa terrível fobia. Confesso que esse bicho, que até de falar o nome me arrepia, me causa um pavor incrível que me faz paralisar. Sou incapaz de matar uma dessas! Fico gritando com ataque de pânico. Como vc tbm essa fobia resulta de um trauma de infância. Eu vivia em Angola_Luanda_ e, como todo o mundo sabe, esses animaizinhos desenvolvem-se bem em climas tropicais. Uma noite, senti algo bichanando na minha cintura e institivamente cocei e apertei o que me estava causando essa impressão. Acordei sentindo essa coisa que eu não sabia ainda o quê na mão e gritei aflitivamente. Meus pais correram para o meu quarto e, ao acenderam a luz vi que tinha uma patas e asas saindo por entre os dedos! Aí foi a loucura total. Entrei em esterísmo e nem com a água da torneira correndo sobre a minha mão eu conseguia abri-la. Meus pais bem me acalmavam e incentivavam a abrir a mão para a largar e lavar mas eu só ao fim de uns 15 minutos o consegui fazer!
A partir dessa noite eu fiquei com uma fobia tal, que detectava o cheiro desse insecto onde entrasse, acredita?
Já passaram 40 anos e ainda hoje continuo com esse pânico/nojo. Felizmente, agora em Portugal, muito raramente tenho esses encontros indesejáveis mas, sempre que acontecem, a reacção é a mesma!

Mia

Ocorreu um erro neste gadget

AmazingCounters.com
Overtons Marine Supply