sexta-feira, maio 02, 2008

BAILARINA


Doente dos pés, busquei um médico que me disse:

- Aprenda a dançar e você sara!

Costumo dizer que não consigo passar um dia sem ouvir uma canção. Amante dos ritmos, do samba ao tango, observo sempre com olhos brilhantes, os movimentos dos dançarinos nos salões, festas de familias e apresentações musicais e cultivo aquele inveja boa -quando eu crescer, quero fazer igualzinho.

Casado com um bailarina, costumo ser motivo de piada, quando em bailes, brinco de estátua, enquanto todos estão dançando. Solidária, minha bailarina recusa o convite dos amigos pé-de-valsa, mesmo quase não conseguindo controlar seus pézinhos de dançarina que parecem ter vida própria ao som da música.

Já tentei aprender. Arrisquei até uns passos de forró; de dança de salão. Até treinei uns passos de flamenco quando decidi ingenuamente que conseguiria dançar um "passo doble" na minha cerimônia de casamento. Desisti. Corria o risco de ser considerado "persona no grata" na Espanha.

Contudo, mesmo tendo essa pequena dificuldade de confundir os passos e ter coordenação motora zero; nunca desisti do meu objetivo e esses dias, surgiu uma luz no fim do túneo. Fomos, meus amigos e eu , comemorar meu aniversário no salão The Clocks, uma casa noturna especializada em rock dos anos 50 e 60 e consegui pela primeira vez, dançar sem tropeçar em alguém ou esmagar os pés da minha bailarina. Dancei rockabilly! Ou melhor, engatinhei alguns passos, ensaiei algumas voltas e o mais importante: sai do lugar. Tudo isso graças a boa vontade do estabelecimento que me ensinou ( e outros tantos) ditaticamente como dançar o bom e velho rock and roll, com um passinho pra cá, uma voltinha pra lá, rodando a moça praqui e pracolá. Deu resultado. Dançamos em volta do relógio!!!

A-wop-bop-a-loo-wop-a-wop-bam-boom!!!

John Travolta não corre o risco de perder o emprego, mas se Santo Fred Astaire me ajudar, vou me matricular numa escola de dança e fazer minha bailarina sair da caxinha e bailar comigo. Peguei gosto e coragem. Se os brutos também amam, alguém com os dois pés esquerdos pode sempre aprender a bailar.


Frank Oliveira

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