segunda-feira, abril 28, 2008

VIRADA CULTURAL 2008

Jurei que mesmo se tivesse doente, não perderia a virada cultural. Palavra tem poder e para meu desespero, na Sexta, uma dia antes do evento, uma gripe elefante me derrubou e experimentei uma das piores febres que já senti. Tudo o que eu precisava era ficar deitado, de molho, curtindo o carinho do meu vírus que fazia a festa no meu corpo. Fácil para ele, se eu desistisse e me entregasse, o que ele não contava era que mesmo com febre, consegui persuadir a minha enfermeira amada e fui assistir a Cesaria Evora.

A Virada Cultural é um evento que ocorre anualmente em São Paulo, com 24 horas ininterruptas de música, dança, teatro, literatura, artes plásticas e cinema. Inspirada em evento similar europeu, a Virada tem atraido milhares de pessoas para o centro da cidade ( e outros tantos locais em São Paulo) e levado cultura para o povo. Só esse ano, a prefeitura da cidade prometeu mais de 800 atrações como Jorge Ben, Zé Ramalho, Patu Fu, Paulinho da Viola, entre outros.

Surreal! Imagina caminhar pela rua Aurora e ir parar em Cabo Verde. Foi assim que eu me senti, quando sai do centro velho e decadente, para ouvir a voz maravilhosa da diva africana. Também conhecida como a diva dos pés descalços, Cesaria é a cantora cabo-verdiana de maior reconhecimento internacional de toda história da musica popular. O gênero musical com o qual ela é majoritariamente relacionada é a "morna", por isso também recebe o apelido de "Rainha da morna" (mesmo tendo sido bastante sucedida com diversos outros gêneros musicais). A morna é um género musical e de dança de Cabo Verde. Tradicionalmente tocada com instrumentos acústicos, a morna reflete a realidade insular do povo de Cabo Verde, o romantismo intoxicante dos seus trovadores e o amor à terra (ter de partir e querer ficar).

A cantora animou o público e chegou a fazer três bis, terminando o show com a música 'Carnaval'. Com 67 anos, ela fez um show de cerca de 1h15.

Sai do show da Cesaria e segui caminhando pelo centro de sampa e observando as cores. As pessoas iam e vinham, cantavam, se interessavam por qual evento cultural iriam assistir em seguida. Ninguém falava da Isabella, do terremoto, dos seus problemas. O único assunto era música, arte e cultura.

Os shows rolaram pela noite. Recitais de poesias eram feitos nos principais bares e teatros da Praça Praça Roosevelt, aulas de dança nos becos da Avenida Ipiranga, meninas cantando mpb, meninos cantando samba, homens virando meninos, meninas virando mulher.

Queria ficar mais tempo, mas a febre foi me vencendo e minha enfermeira companheira, levou-me para um hospital ali perto. Eu havia feito a minha parte para vencer a gripe e a febre com cultura; agora era hora de dar o braço a torcer e tomar na veia, a solução mais lógica. O vírus venceu essa última batalha, mas no final das contas, eu venci a guerra.

Frank
Fontes:

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