sábado, abril 12, 2008

UMA FLOR PARA UMA MENINA BELA

Mais um crime horrível, tragédia sem explicação. Não preciso ler jornais, nem preciso ouvir o rádio; os detalhes estão por todos os lados. A velha conversa sobre o tempo no elevador entre estranhos, dá lugar a um grotesco diálogo:

- Crime bárbaro, não? – diz a outra.

- Nem fala. Acho que foi o pai! – acusa o outro.

A sociedade está chocada, dizem as manchetes arremessadas. Ninguém lê outro assunto, ninguém ouve mais nada.

Alguém me tire daqui! Não quero sentir esse gosto mórbido que sacia a todos. Não há dúvida: precisamos da desgraça alheia.

O leite derramado do outro, transforma o nosso leite estragado em iogurte: nunca tivemos tanta sorte, nossa vida medíocre nunca pareceu tão maravilhosa.

- Foi o pedreiro! – diz o outro.

- Deve ter sido a madrasta! – acusa a outra.

A vida vira novela. Se ao menos as fofocas dessem lugar a orações, vibrações de amor iluminando a escuridão dos comentários daninhos; mas que nada! Luz não dá ibope.

Como se estivesse numa estação lotada do metrô, sou empurrado pela massa; mas não por muito tempo. Paro e vejo a multidão seguindo ensandecida, trocando o teatro da compaixão e da solidariedade por uma arena de sangue, num show macabro, onde a estória triste de uma linda menina a transforma numa celebridade e os detalhes da sua morte, cenas de Big Brother.

Deixo aqui uma flor para a menina bela. Que papai do céu esteja cantando para ela canções de ninar. E você, vai continuar com a massa ou depositar também a sua flor?

Frank Oliveira

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