terça-feira, abril 01, 2008

LUZ NA COZINHA

Estava escrevendo um texto. Um pedaço de verso qualquer numa folha branca, que a inspiração já tinha preenchida inteira, mas eu ainda riscava as primeiras palavras. Sentado na sala, com as minhas costas para a cozinha, comecei a notar que a folha branca ia ficando cada vez mais branca, enquanto eu me concentrava nas letras e bastava eu tirar a atenção das palavras e notar o enbranquecimento da folha, para tudo voltar ao normal.

- Preciso procurar um oculista! – pensei e voltei ao texto, mas o fenômeno continuava e o que me deixava mais surpreso e que a cozinha tem uma janela pequena e é tão escura que mesmo de dia, preciso ligar a luz da lâmpada para preparar algo.

Tentei ignorar, mas a folha foi ficando cada vez mais branca como se refletisse uma luz que vinha por trás de mim. Olhei com o canto do olho, respirando fundo, e notei que já não havia cozinha atrás de mim, existia um espaço em aberto com uma iluminação intensa. Era como se esse lugar e a cozinha da minha casa, ocupasse o mesmo espaço. Não notei presenças, nem som, cheiro ou qualquer outra coisa do que a luz incidindo sobre mim e me mostrando que há realmente outros planos submergidos um dentro do outro, que na falta de uma definição melhor, eu usarei as palavras do meu amigo Lázaro: “ esses planos são como camadas de cebola”.

Nesse dia vi uma das camadas e vou evitar ir ao oculista, se já enxergo isso com a vista ruim, imagina se eu colocar um par de óculos e enxergar melhor.

Frank

Os: Dedicado ao meu amigo Alex Voador que teve uma experiência semelhante com luzes na cozinha. Definitivamente, vou passar mais tempo na cozinha. Minha mulher vai adorar a idéia.

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