segunda-feira, março 10, 2008

O Segurança Poeta

A primeira impressão realmente não é a verdadeira.

Por duas semanas, estive organizando um evento na Bienal do Parque do Ibirapuera. Dá um trabalhão danado coordenar dezenas de fornecedores e centenas de colaboradores. O stress em nível altissímo, não deixa que eu consiga observar as pessoas, conhecer novos universos. Preciso bancar o "boss" e pagar o preço para ter tudo organizado.

Queria estar escrevendo, penso a cada momento que percebo o preço que pago para liquidar as minhas contas, mas as letras podem esperar, tem um segurança, anotando algum telefone ou coisa parecida num pedaço de papel. Quem ele pensa que é? Deveria estar trabalhando e não anotando bilhetinhos...

- Você não deveria estar em ronda? - penso, antes de falar, mas alguém me chama e perco a chance de chamar a atenção do cara. Outra hora falo com ele!

Lá pelas tantas com o incidente esquecido, ele vêm em minha direção e revela, entre um "boa noite" e um "como vai": Frank, meu nome é Sérgio e eu sou um poeta.

- Nada profissional, diz ele, apenas escrevo onde e como consigo, essas palavrinhas e versos que ficam rodando na minha cabeça.

Será que ele sabia que eu também era escritor? Não sabia, mas continuei a ouvir.

Carioca, que morava á pouco em São Paulo, ele era segurança há tempos e sempre que podia, ao invés da arma, sacava a caneta e impedia que as frases feitas e rimadas fugissem do seu controle.

- Quando escrevo, estou 100% satisfeito. Se ao menos eu pudesse ganhar um centavo por cada palavra que escrevo, mas minhas rimas não possuem o poder de pagar o aluguel, por isso sou segurança por fora e poeta por dentro.


Frank Oliveira

Um comentário:

Anônimo disse...

oieeeee!!!!!que bom q esta de volta,ja estava sentindo sua falta.Todas as manhãs vinha te visitar pra saber se vc tinha voltado e hoje fiquei super feliz qd te li.bjss

Ocorreu um erro neste gadget

AmazingCounters.com
Overtons Marine Supply