quarta-feira, março 12, 2008

Ausência de Chão

Falta chão - disse ela - enquanto o afastava. Era beijo demais para uma noite. Era desejo demais para a primeira vez.

Era a primeira vez que beijava um estranho, com todos os clichês de um encontro não programado. E acontecia durante o trabalho, ou melhor, após ter batido o cartão; mas bem próximo, muito próximo das pessoas. Quem eram essas pessoas? Ele quis saber, ela respondeu: todas aquelas que não tem nada a ver com isso.

Sim, ninguém tinha nada a ver ou falar com o fato que ela resolveu aceitar um beijo na calada da noite e não tinha palavras para descrever o que sentia, só sabia que lhe faltava o chão.

O chão seguro dos sentimentos controlados.

O chão certo da ausência da delícia do pecado.

Pecado? Como poderiam condená-la por sentir algo tão maravilhoso, tão itenso e tão verdadeiro. Não há pecado onde há desejo expresso de matar uma vontade. Melhor mil beijos que lhe façam perder o chão do que a vontade reprimida que se perderia no deserto de todas as coisas loucas que sempre quis fazer, mas sempre teve medo de tentar, muitas vezes por causa desses "outros".

Faltou chão, mas lhe sobrou o céu, com poucas estrelas, mas brilhantes o suficiente para que ela jamais esquecesse aquela noite, em que ela desejou um homem e esse homem a desejou. Encontro perfeito, desejo consumado num beijo que ela ainda sentia nos lábios e que ficou congelado no tempo, em algum lugar daquele parque, entre ás arvores, entre o sim e o não, a entrega e a recusa, a presença e a ausência do chão.

Frank Oliveira

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