terça-feira, janeiro 15, 2008

Quando as Lágrimas Aliviam

Dois amigos. Desentendimento e decepção. Anos de amizade apagados pela borracha do esperar que o outro reagisse como ele agiria.

Quer chorar. Quer gritar ao mundo que quando um amigo se vai, é como
se uma estrela apagasse, deixando o caminhante sem direção, sem guia.

Quer pedir perdão. Quer confessar que estava errado, mesmo tendo tido
razão; só para recuperar a amizade. Só para recuperar o sorriso, o brilho da estrela guia.

Mas continua quieto, calado e ferido; sem reação.

Reprimindo as lágrimas que ameaçam cair.

¨Homens não choram! ¨

¨Chorar é para os fracos ! ¨

Será ?

A decepção e a mágoa que seriam lavadas e levadas embora pela correnteza do olhar se transforma em relâmpago; raios potentes que caem da nuvem cinza que cobre o coração diretamente no vale umbilical.

A barriga pesa e pede socorro. O estômago aciona o sinal de alerta e todo o sistema digestivo entra em colapso por causa de uma emoção mal trabalhada.

Segue pesado e mesmo percebendo que há algo errado, permanece centrado na dor, na ausência, nas lembranças pesadas dos julgamentos de quem tinha razão e quem estava errado, alimentando com isso a nuvem cinza que devargazinho vai cobrindo boa parte do corpo.

A dor emocional se torna dor física. O corpo implora pela ajuda do choro, de um mantra, de uma limpeza energética, de bom senso ou de qualquer outra coisa que não seja os comprimidos e auto-medicação que só pioram o problema.

Dias mais tarde, ainda carregando a dor ouve do médico que seu problema é gastrite nervosa. Tomara que não demore a compreender que isso só está ocorrendo porque ele não consegue chorar, seguir em frente e perdoar.


Frank

14 de abril 2003

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