quinta-feira, janeiro 24, 2008

Pétalas de Luz

É tarde...

Olho momentaneamente pela janela de meu apartamento, enquanto ainda continuo a procura da história de Ramatis, Yogananda e Rama através do computador, e me pego questionando que não somos apenas filhos de Deus, mas também parte D’ele. Enquanto misturo dúvidas e certezas em minha mente, mais uma vez minha visão é puxada para a janela onde ao longe encontro um céu azul com partes alaranjadas seguidas de uma camada de nuvens azul índigo. Já com toda a minha atenção naquela belíssima visão do crepúsculo e deixando a minha pesquisa de lado, por um pequeno momento, passo a me perguntar por que as pessoas precisam de tantas provas para saber que Deus existe?

Olhando este céu de uma São Paulo de fim de dia, consigo sentir um pouco desse amor infinito. Apenas olhando o céu, percebo que uma atmosfera de luz e paz aos poucos vai me invadindo. Tento continuar olhando a dança das cores na minha janela, mas já não consigo e a única coisa que eu desejo nesse momento é fechar os olhos e mergulhar no infinito da minha mente, em profunda meditação, para agradecer pela infinita alegria que agora eu estou sentindo.

Enquanto o meu coração está radiante de energia envolto em uma luz rosada, os meus lábios ainda continuam sorrindo, e percebo que meus olhos começam a lembrar cachoeiras com as lágrimas que percorrem o meu rosto e sinto compaixão por todos que ainda procuram Deus em templos ou em outras pessoas, mas a minha mente não me deixa esquecer que um dia eu também já o fiz, enquanto tudo que precisava fazer era olhar para mim mesmo e para o mundo com os olhos do coração...

Se eles pudessem parar com as suas preocupações materiais e olhar para o céu num dia de calor, nem que seja por um instante, e sentir os raios de sol tocando as suas faces e lhes passando a energia perfeita para a vida, talvez eles pudessem entender ...

Se eles pudessem parar de brigar com coisas tão pequenas e observar o vento tocando seu rosto e enxugando as suas lágrimas, saberiam que são as Mãos Divinas que lhes afagam com carinho.

Se eles pudessem sair das fedidas emoções negativas, controlar os seus pensamentos egoístas e conseguissem absorver o mais sublime perfume de uma flor, perceberiam que o seu aroma é uma pequena mostra do infinito amor que interpenetra a tudo e que suas pétalas são pedacinhos Dele também...

Abro os olhos, profundamente envolvida com aquele entardecer e percebo que o crepúsculo já vai dando o seu adeus, mas vejo que um pontinho luminoso vai surgindo timidamente como se fosse um velho conhecido que vai dizendo boa noite... e percebo ser uma estrela que brilha e seu brilho é como um coração pulsante; pulsante de alegria, amor e luz.

OM MANI PADME HUM é o som que me traz novamente a realidade e que traduz o que estou vivenciando. Tanto tempo procurei por Deus como se ele fosse um senhor inacessível, quanto tempo vaguei á sua procura em lugares, onde me diziam que ele estava tão longe e que ironia descobrir que ele está tão perto
Respiro fundo, absorvendo o Prana que é o seu sopro divino, sentindo-o entrar em meus pulmões, trazendo-me uma calma tão profunda e serena.

OM NAMAH SHIVA YA é o mantra que ainda toca no velho aparelho de som e penso: quantas coisas mudaram e morreram, para que eu pudesse renascer. Quantas certezas foram quebradas e quantas ainda virarão cinza, como se o Sr Shiva fosse fazendo uma grande limpeza em minha vida com o seu tridente, e hoje não precisando de argumentos ou de sua presença física para provar a sua existência, percebo nas ilusões da Maya, o seu sorriso, lembrando que no fundo tudo parece ser uma grande brincadeira divina, e através daquele entardecer que me toca como um sorriso gostoso e espontâneo de uma criança, percebo que não há nada a pedir ou a questionar, mas apenas agradecer pelo simples fato de poder estar aqui aprendendo e sendo o caminho para um só destino que muitos chamam de evolução, mas eu prefiro chamar de luz.

Auri

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