quinta-feira, janeiro 10, 2008

Presente de Livro

Recebi um Mário Quintana de uma amiga. Sorri feliz, enquanto folheava o livro. Não é todo dia que acertam; dar presentes é uma arte.

Sou como criança; prefiro brinquedo à roupa. Esqueçam a bermuda, a camisa de marca. Quer me fazer feliz com um presente? Vou contar um segredo: adoro ler e amo música!

Presentear cultura não é coisa de amigo secreto, é um serviço para amigo intimo. Os melhores presentes que já ganhei na vida foram canções e livros. Uma vez ganhei um Richard Bach de uma amiga carioca e tornei-me escritor; outra vez, ganhei um Elvis de uma tia e tornei-me cantor. Escritor de versos tortos e cantor de banheiro, mas ainda assim, esses dois presentes mudaram a minha vida: quando estou triste, canto. Se estou feliz, escrevo. Minha depressão vira melodia e a minha alegria vira sopa de letrinhas que alimentam amigos e leitores. Às vezes uma linha pode salvar um dia e uma melodia pode resgatar a graça da vida que fugira com a tal da Margarida.

Uma calça se veste, mais um livro se bebe; uma blusa se cobre, mais uma música se aquece e assim segue a minha alma sem calça e sem blusa; correndo nua mas sem sede e sem frio pelas ruas da cidade e pelas curvas do rio.

Ganhei Mário Quintana e mesmo correndo o risco de ficar descalço, rogo aos amigos; se desejarem dar-me algo, bem pertinho de casa, há um sebo cheio de livros abandonados e famintos para serem lidos.

Até lá, me despeço voando, pois como dizia Quintana: “ Eles passarão e eu passarinho”.

Frank

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