terça-feira, janeiro 29, 2008

Par de Olhos

Encontrei seus olhos em meio a um oceano de rostos. Ela olhava para mim.

Olhei pra trás, achei que ela olhava algum rosto amigo, mas aquele olhar era mesmo para mim; um desconhecido; espremido com outros tantos naquele ônibus que seguia perdido, indo de lugar nenhum para qualquer lugar, mas que havia me levado para aquele par de olhos que vinha grátis com sorriso.

Já não importava se eu chegasse atrasado em meu destino, desde que eu continuasse iluminado por aquele olhar querido; que disfarçava, mas continuava a me olhar, como se quisesse fazer contato comigo e tudo o que eu precisava fazer era me aproximar e descobrir se teria em seus braços, abrigo.

Ela sentada no fundo, eu em pé lá na frente; separados por todo aquele mar de gente; tentei avançar, mas confesso, não havia como me movimentar e para o meu desespero, ela ameaçou descer imediatamente, o sinal apertou e no próximo ponto iria descer. Em pânico, avancei para aquele par de olhos, mas a multidão não queria ceder; apertei, insisti, tentei correr, não queria perder a oportunidade de conhecer aquele par de olhos, mas a porta se abriu e vi pela janela, meu par de olhos desaparecer, entre uma floresta de quarda-chuvas que tentavam da chuva se proteger. Ninguém viu, mas chovia era no meu coração, enquanto eu balbuciava aquelas palavras que nunca cheguei a dizer: “Bom dia, Par de Olhos, prazer em te conhecer”.

Frank

Um comentário:

Anônimo disse...

ja disse isso...mas vc tem um dom maravilhoso,amo ler seus textos eles refletem tao bem a vida..
ameiiiiiiii!!!

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