sábado, dezembro 01, 2007

Separada

Conheci Edina em Salvador, amiga de uma amiga minha, tomamos água de coco num quiosque á beira mar.

Eu matava tempo, voaria para São Paulo à 0:00 do dia seguinte; ela dava vida a um desses bate papos maravilhosos que servem de lição para a vida inteira.

Conversamos sobre tudo, especialmente sobre casamento e liberdade, palavras que não forma orações afirmativas para a maioria das pessoas que se aliançam pelo mundo. Ela me contou que era separada do pai da sua filha por vontade dele. Após esperar por 60 dias que seu marido voltasse, ela contrariou a família e a sociedade, e saiu de casa para reconstruir a sua vida. Cansada de tanto esperar, retomou o rumo do seu caminho e ouviu da família e dos amigos: “se você esperasse um pouco mais, ele teria voltado”. Ela riu, eu também; sua família não. Bem vinda a uma terra onde a mulher nunca tem razão.

Aprendi algo inusitado sobre Salvador com Edina; apesar de ser a 3º maior cidade do Brasil e exportar ritmos, danças sensuais e ser conhecida como a capital do carnaval mais “caliente” do país; a capital baiana não fica muito distante de outras cidades interioranas brasileiras em que a mulher ainda é tratada como cidadã de segunda classe e sempre está errada mesmo quando está certa.

“A Vida dos outros está sempre na boca do povo”, contou Edina, “ Meu marido me largou, mas sou eu que sou segregada por todos. Amigas não podem ser vistas ao meu lado. Suas famílias temem que elas sejam desvirtuadas pela separada."

Ainda assim, Edina ama Salvador. Já teve oportunidade de morar em outras cidades, outros estados; mas preferiu ficar, disse que é muito importante para a filha crescer na mesma cidade em que o pai mora. É esse tipo de preocupação que faz de Edina o que ela é: uma mulher fascinante, inteligente e madura, mesmo carregando uma cruz imposta pela sociedade por querer ser feliz, mesmo separada.


Frank Oliveira
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