domingo, dezembro 02, 2007

80 Centavos

Cortava o cabelo no barbeiro, quando um mendigo apareceu por lá.

- Senhores e senhoras - gritou como se declamasse um poema ou fosse fazer um discurso - Desculpem-me se interrompo o vosso trabalho, sendo um vagabundo, pouco sei sobre essa arte laboral que tão bem fazeis, mas preciso de 80 centavos para inteirar uma garrafa de cachaça.

Espanto geral, todos pararam o que faziam e o mendigo agora tinha todos os ouvidos.

- Sim, isso mesmo, senhoras e senhores, prefiro dizer a verdade. Poderia vos enganar, dizendo que compraria comida para mim ou remédios para os filhos que nunca tive; mas venho até vossa presença e peço humildemente: poderiam contribuir com 80 centavos para alegrar o dia desse vosso amigo?

O que assustava mais não era o discurso do homem em trapos ou uma garrafa de cachaça custar menos de 1 real; mas a honestidade do seu pedido. É claro que não dei um centavo, esmola não ajuda ninguém, nem deve ser dada, mesmo se uma mãe citar Machado de Assis ou Shakespeare com seu bebê nos braços; mas a honestidade daquele mendigo me tocou profundamente. Num mundo de máscaras, em que a verdade e a idoneidade valem tão pouco, esse estranho homem de 80 centavos me ensinou algo que jamais esquecerei: quanto mais verdadeiro for o que você diz e faz, mas fácil será para você alcançar o que quer. Isso mesmo, ele conseguiu seus 80 centavos.
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