sexta-feira, novembro 23, 2007

Cuba Livre


Meu amigo Hernandez mora em Caracas. Conheci o Venezuelano, quando vivia em Londres; trabalhávamos no mesmo restaurante, eu atendia as mesas, ele servia no bar. Falávamos fluentemente portunhol um com o outro, mas quando o assunto fluía para política, eu sempre me esquiva, chavista ao extremo, Hernandez realçava a Nova Venezuela governada por “El Comandante” e em como a população era feliz e que a mídia distorcia os fatos e etc, etc, etc. Quer perder um amigo, basta falar de política, futebol ou religião; quer ser seu amigo para sempre, compartilhe sonhos; e o assunto preponderante em nossas conversas era o meu sonho de voltar ao Brasil e me tornar Professor, e o dele de abrir um bar e servir Cuba Livre na costa caribenha. Bolibar seria o nome do bar batizado em homenagem ao grande herói latino americano, Simon Bolívar.

Porém, sonho custa caro e ele trabalhava noite e dia para conseguir juntar cada centavo que pudesse e realizar seu “Venezuelan Dream”. Não reclamava, sempre tinha um sorriso no rosto e repetia seu mantra: “ dando duro agora, para depois dar mole” – a única frase que consegui ensinar em português para ele. Frase que tinha ouvido de uma outra amiga e ele aprendeu, depois de umas caipirinhas.

Voltei ao Brasil e ele á Venezuela em 2005. Alguns e-mails e meses depois, descobri que meu amigo realizara seu sonho: abrira seu Bolibar na costa Venezuelana, em frente ao mar do Caribe. Eu, infelizmente, deixava a carreira de Professor, para voltar ao mercado empresarial, trabalhando com Marketing e Vendas para pagar as contas que lecionando não conseguia.

O contato foi diminuindo e cada um seguiu com suas vidas.

Na semana passada, percebi seu e-mail na minha caixa postal. Para o meu espanto, ele enviara o e-mail da Inglaterra. Pensei: “será que meu amigo abriu uma filial do seu Bolibar em Brighton, na costa inglesa?”

Nada parecido. Ele contou que a sua filha tinha sido presa na última manifestação estudantil contra o Governo de Hugo Chaves, que houve em Caracas. Como retaliação, a licença de Hernandez foi caçada e seu bar fechado pela policia. Ele termina o e-mail com a frase: voltei para a Inglaterra, infelizmente, para ficar.

Queria responder seu e-mail com a seguinte frase: “os nossos sonhos, governo nenhum consegue derrubar” . Daí, me lembrei, prometemos um para o outro, nunca falarmos de política.
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