domingo, outubro 14, 2007

Uma Árvore Chamada Esperança

Em meio ao cinza do centro de São Paulo, respira o Ibirapuera. Mais que um parque, é do centro de Sampa o pulmão.

Costumava meditar em seus gramados e era lá que morava uma amiga que cedia gentilmente sua sombra para as minhas leituras e escritas, carinhosamente a apelidei de Dona Esperança.

Ela era uma árvore velha, diziam que tinha mais de 100 anos. Suas raízes se esparramavam ora embaixo, ora encima do gramado e em seus troncos estavam pichados nomes de casais e palavrões. Os moleques costumavam se pendurar em seus galhos, o que me atrapalhava às vezes, mas como Dona Esperança nunca reclamava quem era eu para dizer alguma coisa.

Li muitos livros legais sob sua sombra e foi por lá que escrevi a minha primeira declaração de amor a minha esposa.

Meditar ali era sempre um prazer e em certos dias, a gente atá batia um papo. Eu a agradecia pelo oxigênio e pela sombra e ela me agradecia por ter tempo de conversar com ela.

Cara, que tardes agradáveis passei por lá. Todo dia claro era desculpa, para arrumar um tempinho e ir até o parque.

Meditando, lendo, escrevendo ou apenas descansando, fui começando a nutrir um grande afeto por aquela velha amiga e ela o mesmo por mim.

Apos algum tempo fora dos pais e da cidade, retornei a São Paulo e ao parque pulmão, e procurei ansioso por Dona Esperança, mas só encontrei o tronco pichado e cortado no lugar onde minha amiga morou por mais de 100 anos.

Lembrei com nostalgia de nossas tardes e amizade, e lamentei sua ausência.

Consolei-me com a cena imaginaria de sua morte por um raio ou qualquer outra obra da natureza para sua partida; mas ao ver um homem jogando a lata de cerveja no lago, mesmo com o lixo a poucos metros, fez com que eu sentisse vontade de chorar e começasse a desconfiar de outras causas mais humanas para o desaparecimento de minha amiga, porém insisti com a idéia de raio na cabeça e com a fé nos homens apesar da Dona Esperança ter sumido e da lata que junta a outras tantas descansa no fundo do lago do parque.

Frank



"Quando uma árvore é cortada ela renasce em outro lugar. Quando eu morrer quero ir para esse lugar, onde as árvores vivem em paz” (Tom Jobim)

3 comentários:

Anônimo disse...

Em nome de todas as árvores aqui de Brasília e em meu nome, quero
registrar o meu pesar pela partida de Dona Esperança. Não a conheci,
mas meu coração viu tudo: sua meditação, suas leituras, seu descanso,
sua declaração de amor, sua procura, sua constatação.
Márcia
Lista Voadores

Anônimo disse...

Frank
Compartilho com seu sentimento de perda e nostalgia das grandes árvores que se
foram, mesmo aqui no campo onde moro, vejo tantas vezes essas gigantes
centenárias sendo cortadas e morrendo pela ignorância dos homens.
Triste realidade, sinto muito por D.Esperança... felizmente faz parte de meu
trabalho semear e plantar árvores e o que consola é observar anos depois o
quanto "meus bebês" (mudinhas) cresceram e estão saudaveis! Um de meus sonhos é
deixar nesse mundo pelo menos um pequeno bosque plantado, aonde parte da vida
selvagem da região continue preservada. Gaviões, macacos, capivaras e tantas
outras espécies precisam sobreviver para que todas as nuances da existência
sejam desenvolvidas. Vivências fundamentais da eternidade...
É a primeira vez que escrevo, gostaria de agradecer a todos a oportunidade de
estar aqui, estou adorando participar dos "Voadores".
Abraços!
Fernanda

be disse...

酒店經紀,
酒店工作,
酒店上班,
酒店打工,
禮服酒店,
禮服公關,
酒店領檯,
華麗幻想,
夢世界,
酒店經紀,
酒店工作,
酒店上班,
酒店打工,
禮服酒店,
禮服公關,
酒店領檯,
華麗幻想,
夢世界,
酒店經紀,
酒店工作,
酒店上班,
酒店打工,
禮服酒店,
禮服公關,
酒店領檯,
華麗幻想,
夢世界,

Ocorreu um erro neste gadget

AmazingCounters.com
Overtons Marine Supply