quinta-feira, setembro 13, 2007

PACHA MAMA

Avenida Paulista, horário de almoço. O executivo afrouxa a gravata e sai do escritório, seguindo em direção ao lugar, onde costuma sempre almoçar. No caminho do restaurante, ele passa em frente ao parque Trianon-Masp, e sente vontade de entrar. O que é estranho, uma vez, que ele trabalha na Paulista á anos e nunca tivera vontade de entrar ali. Ele olha o relógio, calcula seu tempo e concorda em perder cinco minutos para satisfazer aquela estranha vontade.

Dentro do parque, ele caminha, sem saber muito bem o que faz ali; observa mendigos dormindo nos bancos, alguns velhos lendo livros, outras pessoas comendo lanches e lendo jornal. Ele olha para cima e vê pássaros voando e as arvores cobrindo os prédios, criando a ilusão que ele esta fora do centro de São Paulo. Ele nem sabe por que, mas se sente bem de caminhar por ali, como se a caminhada o renovasse, como se o verde do parque o envolvesse e o deixasse mais leve. O executivo então decide parar, e ainda seguindo aquela estranha vontade, tira os sapatos e decide pisar na grama, no chão. E que sensação deliciosa, a grama macia parece fazer massagem na planta dos seus pés.

- Cara, porque será que nunca fiz isso antes- ele se pergunta, enquanto senta na grama e encosta o corpo no tronco de uma arvore. A sensação de leveza e o bem estar o leva a fechar os olhos por alguns instantes e imagens começam a surgir em sua mente.

Um grupo de pessoas parecendo índios sentados em círculos, ao redor de uma fogueira. O lugar lembrava uma floresta, pôr ele notava que por cima das arvores, montanhas com os picos nevados pareciam tocar o céu. Ele sabia de alguma forma que aquelas montanhas faziam parte da cordilheira dos Andes e aqueles homens eram Incas, sendo iniciados no mundo espiritual.

Um homem que parecia ser o mestre espiritual do grupo conduzia um exercício que buscava despertar em cada iniciado, sua centelha divina:

- Se conectem com o Grande Pai Manko Kapac e peçam proteção e força para sua jornada espiritual. Se concentrem no centro de energia na base da coluna e sintam que seu corpo e a terra são conectados. Deixem-se levar pelos cantos dos pássaros e voltem ao ventre da Grande Mãe, repetindo o seu nome, como se o som ecoasse do seu centro energético para a terra : PACHA MAMA! PACHA MAMA!PACHA MAMA!

O executivo abriu os olhos assustado, enquanto ainda podia ouvir de seus próprios lábios a palavra PACHA MAMA sendo pronunciada. Um estranho calor percorria sua coluna e ele sentia uma força interna tão intensa que parecia que ele tinha tomado cinco latinhas de Red Bull de uma vez só.

- Preciso vir aqui mais vezes - disse pra si mesmo, enquanto olhava o relógio. - Meleca, esqueci do almoço.

Saiu correndo para o restaurante, tentando lembrar o que ocorrera, o que vira, mas já não conseguia nem lembrar que nome era aquele que se ele repetisse lhe daria tamanho bem estar. Que palavrinha mágica era aquela que provocava tanta energia bacana?

Droga, deveria ter anotado. Disse enquanto cruzou com um grupo de músicos peruanos tocando musica em frente ao Metro. Uma moça veio em sua direção lhe oferecendo um CD. Ele gentilmente recusou, dizendo estar com pressa, mas ao olhar uma segunda vez, percebeu que na capa do CD estava escrito : Canciones para Pacha Mama.

Ele sorriu para a moça, agora lembrando de tudo e lhe perguntou:

- Quanto custa?


Frank

PACHA MAMA: Conhecida como "A Mãe Terra" por todo Peru, tem um culto muito antigo que dizem os locais vai alem da época do povo Inca. O nome dessa Deusa também é um mantra usado nos rituais xamânicos locais para a ativação dos chacras básico, sexual e umbilical.

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