segunda-feira, setembro 24, 2007

A Carta de Tarô

Buscar um novo emprego é uma jornada bandeirante em mata fechada; uma via dolosa; um caminho das pedras com pés descalços. Desde que cometi o pecado mortal
de sair de uma empresa sem arrumar outro emprego, tornei-me um Vasco da Gama idealizando uma Índia, mas aprisionado pelo gigante do Cabo das Tormentas da falta de oportunidade.

O navio de um desempregado ora avança em entrevistas e seleções, ora transborda em currículos naufragados, perdidos para sempre no limbo das agências de contratação e recursos humanos. A experiência profissional tão conquistada por vezes completa perfeitamente a vaga esperada, em outros casos, transforma-se em cicatriz escondida para não manchar o encontro marcado com o emprego desejado.

Um mesmo currículo pode receber diferentes opiniões:

- Hummm... não há experiência suficiente. – Disse uma moça em uma agência na Paulista. Deveria ter 18 anos e perguntou se eu tinha gostado de morar nos Estados Unidos quando leu que trabalhei em Londres .

- Experiência demais! – Disse uma senhora que provavelmente não ouvia nada do que eu dizia, mas preocupada com o jogo de paciência na tela do seu computador.

Interessante é que todas as entrevistas sempre acabam com a mesma promessa:

- Entraremos em contato!

Então, a brincadeira do relógio começa.

Empresa-bem-me-quer, telefone-mal-me-quer – a tortura do silêncio, a angustia da espera – se ao menos eles ligassem para dizer : “obrigado pelo seu interesse, mas o seu perfil é medíocre demais para a vaga”, mas não, a promessa nunca é cumprida e o coitado do candidato fica perdido em devaneios, sonhos, contos de fada; onde o emprego perfeito virá pela linha telefônica na próxima ligação.

Até que...Trimmmm!!!

- Alô?

O desejo se realiza e o tempo prova que o currículo certo chega à empresa adequada no momento preciso. Do outro lado da linha, alguém diz o que se tanto sonhou ouvir:

- Você foi aprovado!

O navio vence o gigante das tormentas; o cheiro das especiarias indianas e das contas que poderão ser pagas começa a vir pelo ar, mas por uma grande ironia ( eu diria até mesmo: sacanagem) do destino: após a primeira ligação, surge a segunda oferta, a terceira, a quarta e desempregado navegador agora precisa escolher a melhor rota para sua tão sonhada Índia. Nessa altura, os leitores podem dizer: não reclame de barriga cheia, mas como ter certeza se a empresa escolhida foi a melhor opção?

A resposta, às vezes, vem com o tempo; outras vezes vem soprada pelo vento...

Retorno para casa com a cabeça cheia de duvidas, mas com um sorriso no rosto – a escolha foi tomada e é muito bom voltar a trabalhar. Abro a porta, percebo que deixei a janela aberta do quarto. Não me preocupo, pois moro no 8º andar, e o Homem Aranha é herói e não ladrão. Acendo a luz e vejo uma carta no chão. Sei que é uma carta de tarô, pois já jogaram para mim uma vez; mas fico tentando entender como aquela carta foi parar ali. Minha esposa não joga ou lê tarô, nem eu. Deve ter entrado pela janela. Olho a carta e vejo um rei ou cavaleiro numa armadura dourada conduzindo um carro ou carruagem com dois animais. A carta se chama O CARRO. Movido pela curiosidade, vou até o oráculo eletrônico e digito o nome da carta e a resposta vem em múltiplos links: “ A carta O Carro: significa prosperidade, sucesso em uma nova jornada ou desafio.”



Ishilá!!!

Frank

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