segunda-feira, agosto 27, 2007

Sete Palmos

Estavam todos em volta do corpo.

Minha mãe chorava, meu irmão tão faltante, calara. Familiares, amigos; rostos ausentes e só agora presentes em morte. Meu pai merecia como despedida, muito mais do que essa festa de lamentações. Esse choro todo em volta de um corpo oco, pois o que havia dentro já não reside por lá.

Quando alguém se vai, nada é o corpo além de um foto sem foco, vaga lembrança de alguém que já não habita por aqui. A dor, a saudade é natural no coração de quem fica, mas o apego ao cadáver é irracional, nesse luto que cega o coração com lágrimas amargas que não reconhecem que um ciclo dos muitos da vida acabou de acontecer.

O funeral deveria ser uma celebração, onde familiares e amigos revisam a leitura do livro de uma vida que acabou de se encerrar e não um show de horrores onde gritos, choros e lamentos celebram a nossa imaturidade em lidar com algo tão natural e certo na vida: a morte.

Sinto falta do meu velho, mas a última imagem que quero guardar no peito, não é o tronco oco e caído que todos estão velando, e sim a árvore que nos dava sombra, frutos e deixou em seus filhos, a semente do seu amor e continuidade da sua obra.

Prefiro me despedir enterrando os maus momentos e transformando os bons em flores que não serão despejadas no caixão e sim jogadas para o alto, á sete palmos do ar, nas asas do vento que suspira em meu ouvido: sintonize amor e esse amor chegará até o lugar onde seu pai foi morar.

Frank

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