quinta-feira, agosto 09, 2007

Gandhiji

A multidão á sua frente se gladeava, seguravam bandeiras e cuspiam palavras de ódio, mas ele continuava sorrindo. Calçado apenas com um par de sandálias, ele pisava na lama e seguia em frente. O mais incrível é que todos lhe davam passagem, como se não ousassem continuar a brigar em sua presença. Pequeno e magrinho, ele quase desaparecia no meio daquele povo. Era como se um anão tentasse separar a briga de gigantes, mas a fúria da multidao enfurecida ia diminuindo.

Calmamente, ele se posicionou á frente dos lideres da disputa e os dois marmanjos cairam de joelhos, chorando como crianças ao se verem refletidos nos olhos daquele homem. Ele, então, tocou a cabeça de cada um, acalmando e confortando-os, enquanto sua equipe de apoio se aproximava e os levavam dali.

Não foi dito uma única palavra. Não houve evangelização, nem lições de moral, apenas olhar e sorriso. A multidão acalmou e chorou copiosamente como se aquele homem fosse um espelho em que elas pudessem ver o reflexo do que se tornaram.

Na terra ele foi chamado de Grande Alma, mas ali todos o chamam de Gandhinho.

Frank Oliveira

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