quinta-feira, julho 19, 2007

Quando as Lágrimas Aliviam

Dois amigos. Desentendimento e decepção. Anos de amizade apagadas pela borracha do esperar que o outro reagisse como você agiria.

Você quer chorar. Quer gritar ao mundo que quando um amigo se vai, é como se uma estrela apagasse, deixando o caminhante sem direção, sem guia.

Você quer pedir perdão. Quer confessar que estava errado, mesmo tendo razão; só para recuperar a amizade. Só para recuperar o sorriso, o brilho da estrela guia, mas continua quieto, calado e ferido; sem reação. Reprimindo as lágrimas que ameaçam cair.

¨ Chorar é para os fracos ! ¨
Será?

A decepção e a mágoa que seriam lavadas e levadas embora pela correnteza que desce da montanha dos olhos se transforma em relâmpago; raios potentes que caem da nuvem cinza que cobre o coração, nuvens de mágoa que se originou no vale umbilical das emoções desenfreadas.

A barriga pesa e pede socorro. O estômago aciona o sinal de alerta e todo o sistema digestivo entra em colapso por causa de uma emoção mal trabalhada. Você segue pesado e mesmo percebendo que há algo errado, permanece centrado na dor, na ausência, nas lembranças pesadas dos julgamentos de quem tinha razão e quem estava errado, alimentando com isso a nuvem cinza que devargazinho vai cobrindo boa parte do corpo.

A dor emocional se torna dor física. O corpo implora pela ajuda do choro, de um mantra, de uma limpeza energética, de bom senso ou de qualquer outra coisa que não seja os comprimidos e auto-medicação que só pioram o problema.

Dias mais tarde, ainda carregando a dor; você ouve do médico que seu problema é uma gastrite nervosa, no centro espírita, lhe dizem que há assédio espiritual, no templo evangélico que é obra do diabo. Contudo você sabe que não é nada disso, o que você está sentindo, só está ocorrendo porque você não consegue chorar, seguir em frente ou perdoar.


Frank

Foto: http://www.fotosearch.com.br

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