domingo, maio 27, 2007

Um Presente da Deusa

Era uma surpresa – ela disse e foi me conduzindo para um teatro que ficava na Rua Borges Lagoa, próximo do metrô Santa Cruz em São Paulo – Você vai gostar – ela continuou dizendo e eu confiei; a melhor parte de ter alguém do seu lado que te conhece bem é o fato que há sempre algo fantástico por trás dessas pequenas surpresas; mas jamais pude imaginar que ela me levaria para um encontro com a Deusa.

A semana não fora fácil: prazos, chefes, trabalho, stress e todo ABC da vida corporativa na cidade de São Paulo que quase me levara a beira de um ataque de nervos. Crise mil colocando sombra em todas as outras coisas que realmente valiam à pena. Reclamava, mas no fundo sabia que já passara por aquela situação antes e ela se repetiria de novo, afinal sempre maldizemos a escuridão e se esquecemos da nossa própria luz.

Era Sábado e eu só queria ficar em casa, planejando fazer coisas que não seriam feitas, quando ela me ligou: – Te espero na Santa Cruz ás 8:00. Não se atrase.

Atrasar? Eu nem queria ir, mas fui. Surpresas são sempre bem vindas, mesmo naquela noite fria, onde o cobertor valia mais que qualquer programa noturno ao lado da mulher que se ama. Cheguei ás 19:50 e a encontrei no metrô. Ela sorria, tinha algo nas mangas; eu segui as regras do jogo da surpresa e nada perguntei além de: - “Podemos comer algo antes?”

Ela riu e foi me guiando por ruas que conhecia, porém para um destino oculto. Poderia ser qualquer lugar; poderia ser qualquer coisa. Não era.

“Lakshami a Deusa” era o nome da peça no Teatro João Caetano. Na porta do teatro, havia músicos indianos caracterizados e uma mulher vestida de Lakshami , sentada numa flor de lótus gigante. Os mantras eram tocados e cantados e a melodia, junto com o cheiro de incenso envolvia a todos que esperavam em fila a hora de entrar e assistir a peça. Auri então olhou pra mim e perguntou: “Não sei se será bom. Se não for, me perdoa!”

Perdoar??? Só aquela cena na porta do teatro já valera a pena - Ficou maluca? perguntei - Você acabou de me dar um presente que despertou a minha alma.

De todos os deuses da cultura hindu, Lakshami era uma das minhas favoritas. Manifestação da Mãe Divina - Deusa do amor, da beleza, da sorte, da prosperidade e do sucesso – Lakshami, de acordo com o panteão de Deuses Hindus, também é a consorte de Vishnu – O Deus do Amor; que volta e meia, retorna a terra como Avatar e quando o faz, traz Lakshami consigo.

Adorada em toda a Índia, Lakshami é também a padroeira das mulheres.

Meu primeiro contato com a Lakshami ocorreu através de um texto que li de um amigo meu, Lázaro Freire, onde ele contava que através de uma experiência de meditação durante uma prática espiritual, sentiu a presença dessa divindade ao seu lado. A mensagem que ele escreveu é uma das mais belas descrições de amor a mulher, que um homem poderia ter escrito e mesmo não tendo ainda um contato profundo com espiritualidade, após a leitura do mesmo, percebi que também sentia a presença de Lakshami ao meu lado.

Passei uma semana em estado de graça, vendo e sentindo essa Deusa em todas as mulheres que encontrava. O texto do meu amigo despertara minha alma para a divindade que está em todo lugar.

Sim, a visão daquela Lakshami representada por uma atriz, levou-me novamente a esse estado de graça e a peça nem tinha começado.

As cortinas se abriram e assistimos um curto documentário sobre a Índia e suas mil faces e quando terminamos, surge novamente no palco a deusa Lakshami, dessa vez encarnada por uma dançarina com os gestos, os movimentos, os passos, os quatro braços. Cada braço representando algo, cada gesto representando um conhecimento, cada movimento contanto uma história. O sari vermelho, os adornos de ouro e os olhos da dançarina era a própria imagemda Mãe Divina.

Auri olhava o seu moleque maravilhado e o menino das nuvens não piscava, estava totalmente seduzido pela dança da Deusa, pelo mantra que em seu nome ecoava por todo o teatro.

Num gesto, representando a fortuna que ela despeja do céu para todos que desejarem, a dançarina espalha pétalas douradas por todo o palco e em cima de outras atrizes representando suas devotas. Vejo que uma pétala voa do palco e vem em minha direção; estendo a mão, mas o vento a leva na direção do meu peito; e compreendo que a riqueza que Lakshami envia a terra é na verdade um tesouro só compreendido pelo coração.

Não consegui conter e uma pequena lágrima escorreu do olho esquerdo, seguido de outras, que escorreram pelo meu rosto paralisado por puro contentamento. Quando eu já pensara ter visto tudo; a luz se apaga e ouço uma das vozes mais belas que já ouvi na vida cantando uma canção de devoção a Deusa. A luz se acende e constato que no palco está aquela que eu já tinha reconhecido pela voz, a cantora indiana Meeta Ravindra.

Nada mais consigo escrever sobre o que ocorreu a partir daí. Deixo que vocês imaginem o que uma peça como essa é capaz de provocar num menino maravilhado pela cultura oriental tanto quanto é pela cultura ocidental. Não sou religioso, mas ali, naquela peça em homenagem a Deusa da Prosperidade, meu coração era profunda devoção.

Minha alma estava desperta por aquele presente que recebi da Deusa manifestada na mulher que estava ao meu lado. Meu peito nutrido pelo amor e pela beleza que encanta não somente os olhos, mas principalmente o coração.


Frank

Para saber mais informações sobre a Lakshami, consulte site:
http://www.rosanevolpatto.trd.br/deusalakshmi.html

5 comentários:

Auricelia disse...

Oi meu carinho lindo...adorei a crônica, que bom que gostou da surpresa...era mesmo pra te surpreender...mas acho que a maior surpreendida fui eu, pois voltei banhada pelo dourado da Deusa também...
Beijo meu lindo

DHARMA Cia de Artes disse...

Frank, procurando notícias sobre a divulgação do nosso espetáculo achei o seu relato, fiquei muito feliz!
Que ela te abençoe por toda a sua existência!
NAMASTÊ
Thais

NEYDE BANDEIRA disse...

Oi Frank,
Estive aqui no seu blog e adorei seus textos...
Uma maiga me disse que leu uma cronica sua:TEMPO DE VALIDADE,mas eu não encontrei aqui no seu blog,ela me recomendou a leitura, onde posso ler?
Um abraço e parabéns!

NEYDE BANDEIRA disse...

DESCULPA:UMA AMIGA ME RECOMENDOU.

Premal disse...

Oi Frank!
Linda Crônica...
queria saber se posso publicar os eu endereço no meu Blog, onde fiz a divulgação da Peça...
Senti a delicadeza da sua alma!
Namaste!
Premal

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