sexta-feira, dezembro 01, 2006

Começo, Meio, Fim...

Ele parecia comigo, uma versão mais velha e sábia. Alguém que eu poderia vir a ser, por isso o mundo arranjou aquele encontro. Ele tinha uma história para contar e eu, uma lição para ouvir.

- Perdi a mulher que amava para a vida, mas essa é uma história de amor com final feliz. – disse ele, tomando seu café.
- Como pode ser uma história com final feliz se vocês não estão mais juntos? – perguntei .
- Por ter conseguido aceitar que ela precisava ir...

Quando ela foi embora, alguma coisa quebrou dentro de mim – poderia dizer que foi o meu coração – mas descobri que o que quebrou foi um jarro de vidro repleto de apego. Sim, o apego é um jarro que vai se enchendo à medida que nos apaixonamos.

Quanto mais apaixonados estamos, mais cheio fica o jarro e a cada briga, cada ameaça de separação, o corpo aciona o alarme, mandando os nervos carregarem a mensagem : perigo!

Perigo porque quando o jarro se quebra, estilhaços de apego envenenam o sangue da razão, deixando o castelo aberto para a invasão do exército das emoções que aterrorizam o pobre apaixonado com ameaças de solidão.

Acontece que a solidão só assusta quem tem medo de ficar sozinho. Oxalá, todos vivessem bem sozinho, assim na ocasião de uma separação, não haveria tanta amargura, tanta briga, tanto apego e sim apenas um bye bye, so long, well well. Não haveria um buraco tão profundo e escuro esperando quem foi deixado. Eu nunca soube viver sozinho e paguei o preço.

Quando ela disse adeus, cai nesse buraco e percebi que perdi o controle das lágrimas. Tomei um banho de choro e essa chuva não lavou minha alma, porque era água do jarro que quebrara e quem chora por apego, chora por si mesmo e não pela pessoa amada.

O amor deixa ir, o apego exige ficar.
O amor é oculto, o apego é presente.
O amor não espera retorno, o apego é carente.
O amor é ouvir, o apego é falar.
O amor é respirar, o apego é sufocar.
O amor é atemporal, o apego faz aniversário.
O amor deixa ser, o apego é estar.
O amor é aprender, o apego é só querer ensinar.

Foi isso que aprendi, pois quando ela me deixou, liberou a força do meu amor que estava sufocado no peito, tentando respirar. Esse amor agora exige que eu continue a viver, vivem bem comigo mesmo. Esse amor é o amor por si próprio que todos deveriam sentir. Coisa que nunca fiz, mas já está na hora de aprender e começar. Por isso te disse que essa história tem final feliz. Quem não aprende a viver sozinho, passa toda a vida apegado a idéia de ter alguém para nunca estar só.


Frank

4 comentários:

disse...

Este texto é absolutamente maravilhoso. Parabéns!

Anônimo disse...

Oi Frank, tudo bem gosto muito dos conteudo dos seus textos são bem bacanas
inclusive aquele da dançarina e o cego.

Jose Luiz Pinheiro (IPPB List)

Anônimo disse...

PERFEITO!!!

Baita abraço, Sílvia Schiehl.

Silvia (Santiagos´list)

Anônimo disse...

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