segunda-feira, janeiro 02, 2006

Ver Pra Crer

Toda vez que digo a meus amigos que estou de partida para São Tomé das Letras, tenho a impressão que no lugar do professor de inglês, eles vêem um hippie com uma mochila de artesanato no ombro, uma garrafa de vinho numa mão e um baseado na outra.

- Adoro a natureza. – digo

- Sei. – eles respondem em uni somo.

Não que haja algo de errado com o sujeito que adora uma erva ou prefere viver o sonho da sociedade alternativa, o problema é que o lugar virou sinônimo muito mais de maluco do que de beleza. É conhecido muito mais por ser pista de aterrissagem para ET do que por suas cachoeiras e natureza. O que não é de todo ruim, a propaganda e o estereotipo ajuda a preservar o lugar.

A primeira vez que fui a São Tomé não buscava um encontro com um elemental; nem muito menos buscava um atalho para Matchu Pitchu; o que realmente me interessava por lá era a paisagem que parecia ser perfeita para um romance que na época escrevia.

O livro nunca saiu do papel, em compensação fiquei fascinado pelas ruas de pedras de São Tomé e por aquela gente simples que morava por lá, com seu olhar tolerante as chaminés alucinógenas e a turma da garrafa que desde os anos 60 invadira o lugar com a bandeira verde da paz e do amor.

Na segunda visita, tive um contato imediato de primeiro grau com uma bruxinha que se tornaria minha esposa anos depois. Tenho uma divida eterna com São Tomé e dizem que é Santo Antônio que ajuda solteiros encalhados.

Outras visitas ocorreram com maior ou menor intensidade, mas pra mim virou uma espécie de tradição passar a virada do ano por lá e posso honestamente dizer que não trocaria a passagem de ano em São Tome por nenhum outro local do mundo.

Tem gente que prefere pular sete ondinhas no mar; eu prefiro muito mais dar sete pulinhos na cachoeira. Vai ver sou mais filho de Oxum que de Iemanjá ou a Cidade das Pedras realmente me conquistou com seu jeitinho de interior com toques de Woodstock e cheiro de mar; com a sua natureza exuberante e seu céu noturno recheado de estrelas.

O que mais posso dizer? Tem algo em São Tomé das Letras que rima com energia e boas vibrações, mesmo com tanta fumaça que não se mistura na bruma que cobre a cidade, enquanto todos dormem. Têm algo romântico, por ter sido o local mais inapropriado do mundo para achar outra careta que não tolera nem bafo de cerveja. Por isso e por tantas outras coisas adoro voltar pra lá. É ver pra crer e sentir pra ter certeza.


Frank
02 de Janeiro de 2006

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