segunda-feira, janeiro 09, 2006

Pela Metade

Poderia ter sido a noite perfeita, se não fosse por ela.

Tínhamos a lua refletida no lago a nossa frente, estrelas, musica e uma
baita sintonia.

Ela era fantástica, espirituosa,bem humorada, inteligente, sensual; mas não
sentia atração física por mim.

Sei que parece clichê, mas ela só queria minha amizade e ignorava, ou fingia
não entender, o meu “querer algo mais”.

Ela queria minha companhia, mas não meus carinhos; queria minhas palavras,
mas não sentir os meus toques. Poderíamos ter sido os melhores amigos do
mundo, se eu tivesse enxergado nela algo mais que uma mulher.

Culpava a solidão, amaldiçoava o fato que eu não era um Mel Gibson ou
qualquer um desses atores, modelos, rostos de capa de revistas que embora
vazios feito toco, encantavam, atraiam e tiravam dos pobres mortais as
chances de felicidade ao lado de mulheres como aquela moça, que na calada da
noite mais romântica de minha vida, me dava um fora.

Culpava a moça; afinal se não queria nada, porque aceitara ir ate aquele
lugar. Fingia não entender, ignorava a lembrança que fora eu que armara o
fim de semana no sitio com amigos fantasmas que nunca poderiam estar por lá.

Culpava a moça por não gostar de mim como uma mulher gosta de homem.

Culpava a moça por enxergar a minha alma e não o meu sex appeal.

"Quanto atrevimento! Onde já se viu amar a minha essência e não ficar
atraída pelo meu corpo."

A verdade é que não estava levando um fora, mas apenas constatando algo que
eu já sabia: Há pessoas que se atraem fisicamente e outras que se atraem
energeticamente, mentalmente, espirituosamente, almamente e toda forma de
“mente” que separa um abraço de amigo e um beijo de amante.

A gente sabe disso, a gente sente, mas finge não saber e embarca numa
jornada rumo ao coração partido; mergulha numa epopéia de bobagens
sentimentaloides que só pode dar mesmo em nada. Ainda bem que a gente pode
culpar o outro e acabar com a única coisa boa que tínhamos e
compartilhávamos: a amizade.

Mas ela era a moça. A minha alma gêmea, a tampa da minha panela, a estrela
que desceu a terra e se fez mulher para iluminar o meu caminho. O que houve?

A noite perfeita gritou: “Quanta ilusão, abre seus olhos, seu tonto!”

É noite; ela não era a moça, nem muito menos a minha única alma gêmea (
afinal todas as almas são gêmeas, parceiras e caminham juntas por um tempo
entre o ontem e o amanha). Ela era uma estrela, mas não a estrela-mulher que
iluminaria o meu caminho escuro e solitário.

Mas a pergunta continua...O que houve?

"Mundo real!!!" - responderam os grilos no mato, na lagoa e na cuca.

Poderia ter sido uma noite perfeita onde rapaz fica com a moça e iniciam um
relacionamento perfeito e vivem felizes para sempre. Poderia ter sido como
num conto de fadas, mas foi apenas realidade.

No mundo real a moça não gostou do rapaz e o rapaz continuou sozinho,
errando e acertando, acertando e errando, ate o dia em que se deu conta que
para encontrar a moça que viria para ficar, ele precisaria estar preparado
para abrir mão dos contos de fadas e abrir o seu coração para o fato que uma
relação só vale mesmo a pena se as pessoas envolvidas sentirem a mesma
atração e sintonia, pois nada pela metade se completa.


Frank
Paraibinha feio, cabeça-chata que encontrou sua parceira de vida, depois de
muitas andanças e cabeçadas.

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