terça-feira, dezembro 06, 2005

O Milagre do Reencontro

Quando um milagre acontece, a primeira reação é descrédito; a segunda é uma certeza que há uma força criadora por trás de tudo, força que usa “as coincidências” para se manifestar. É claro que não me refiro ao milagre do mar aberto ou da multiplicação de pães, falo dos pequenos milagres do nosso dia-a-dia, que nos arrancam sorrisos; pequenos milagres que nos fazem ver que cada um de nós carrega mesmo o céu consigo.

Ontem, um desses milagres me atingiu de forma inusitada. Reencontrei uma velha amiga em um lugar improvável. Ela deveria estar a um oceano de distancia e mesmo se estivesse em Sampa, não deveria estar ali, naquela hora, disputando à mesma oferta de emprego comigo.

As chances de um encontro com ela nessas circunstancias, segundo o matemático Oswald da Silva e a Numeróloga Maria Alcina é de 0,01 em um milhão, mas lá estava ela olhando pra mim tão incrédula quanto eu a olhava. A minha primeira reação foi querer me levantar de onde eu estava sentado e abraça-la, mas estávamos disputando uma vaga de emprego e não ficava nada bem dois candidatos se abraçarem no meio de um processo de seleção, alem disso, havia um abismo de anos de silencio e distancia; um redemoinho de mal-entendidos e um monstro de outros motivos que forçaram a nossa separação; porem o milagre do reencontro era mais forte que tudo isso e fui até ela que retribuiu o abraço na mesma intensidade.

Ah, como é bom abraçar novamente quem nos é querido. Abraçar sem medo de ser rejeitado, abraçar de verdade, coração com coração. Foi um abraço de maturidade. Um caminho para alem da mata do ego ferido. Exatamente como eu havia imaginado e sonhado esse reencontro durante as mil e uma noites do exílio da nossa amizade.

A oferta de emprego evaporou pelo ar como se só tivesse surgido como desculpa para que o milagre ocorresse. Então, fizemos o que todos os amigos de laços rompidos deveriam fazer ao se reencontrarem: conversamos.

A conversa durou uma caminhada do alto da Lapa até o Metro Barra Funda.
O mar não se abriu por completo, mas já estava ótimo o milagre de ter esse mar assim.

De tudo o que foi falado, discutido, explicado, gargalhado e chorado, ficou uma pequena porta aberta onde antes havia apenas um muro de concreto. A amizade não voltou a ser como era, não houve promessas de encontros futuros, churrasco ao domingo, nem chá da tarde; o que ficou no ar foi à esperança que o nosso exemplo pudesse ser seguido por todos aqueles que guardam rancor e raiva de velhos amigos e perdem a chance de aproveitar ao máximo o milagre do reencontro. A confiança já não era mais a mesma, já não iríamos nos telefonar todo fim de semana, mas o olhar distante foi virando olhar sorriso com chance de que no próximo encontro ela me chame de Fran ao invés de Francisco.

05 de Dezembro de 2005
Frank

8 comentários:

Frank Oliveira disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...

Graaaaaaaaaaaaaaaaande crônica, parabéns!!!!!!!!!!!!

Abraços,

Hidemberg

Anônimo disse...

Que lindo Frank
Apareça aqui na nossa reuniao na proxima quinta, dia 8 ecompartilhe conosco
esses pequenos milagres.
Meu tel eh xxxxxx e nossas reunioes sao no Itaim-Bibi
Um abç
Maria Emilia

Anônimo disse...

Oi Frank!!!
Parabéns pelo seu texto.
O q mais gosto em seus textos é a forma como vc expôe seus sentimentos, que nos ensina e mostra muita coisa.. adoro seus textos! rs
Mas esse eu queria especialmente dizer q não nos damos conta de q o tempo cura feridas e apaga as mágoas... e a saudade transforma tudo isso num sentimento maior....
Obrigada pelo texto! adorei
Acho q queria mesmo era agradecer... só isso.
Bj!
Mari

Anônimo disse...

Ah! Frank!
Você, sempre você - como desde que eu coloquei meus olhos sobre as primeiras
mensagens da voadores - de novo, colocando em palavras, nesses seus textos
lindos e tão sinceros, questões que ocupam minha mente e meu coração!
Parabéns, querido, pela sua disponibilidade em acolher alguém que as marés
da sincronicidade trazem de volta à sua vida, e pela coragem em demonstrar
esse acolhimento, movendo-se em direção a esta pessoa, mesmo sabendo que o
tempo deve ter feito nela o seu trabalho, para o bem ou para o mal.
É bom saber que há quem consiga abrir caminho em meio aos escombros dos
malentendidos passados, alcançando e resgatando o ser humano que existe no
aqui-agora, a despeito do que tenha acontecido antes, a ele ou a nós.
Eu mesma, estou vivendo, nos últimos dois meses, um reencontro que está me
trazendo muita alegria. Uma relação, que pelas circunstâncias que motivaram
o rompimento, parecia impossível restaurar.
Mas, a vida, dá muitas voltas e as pessoas, quando realmente desejam, podem
aceitar, compreender e perdoar.
Nem todos desejam. Muitos, mesmo desejando, não conseguem. E, às vezes, a
gente fica com os braços estendidos, vazios, esperando, no ar. Mas, isso não
importa. O que vale mesmo é nunca desistir de tentar.
Reencontros são oportunidades únicas de percebermos o quando avançamos ou
retrocedemos em nossa capacidade de amar. Não me surpreende nada que você
tenha dado o primeiro passo para diminuir a distância entre você e sua
amiga. Não é preciso saber muito a seu respeito, para perceber de quanta
generosidade o seu coração é capaz.
Que o milagre do reencontro, continue acontecendo, sempre, não apenas com
você, mas com todos nós.
Que as marés da sincronicidade continuem fluindo, trazendo para junto de nós
as pessoas e as coisas que nos são caras - as que nos fazem melhores e mais
felizes.
Afinal, se somos, mesmo, todos um, não há muros de silêncio, torres de
desprezo, armaduras de indiferença ou oceanos de fúria, que possam, de fato,
nos separar.
Obrigada, mais uma vez, pela oportunidade de abrir meu coração e poder
deixá-lo falar.
Paz, Luz e um abraço,
Maria Guida.

Anônimo disse...

Frank,

Publiquei sua crônica (citando
o blog e a autoria) em lista de
discussão literária, de amigos
meus.

Recebi este comentário:

Abraços,

H.

"carlospatati"
escreveu:
> > Lindo esse texto, Hide! Já me aconteceu coisa parecida com o que
> está descrito na crônica do Francisco, mas não
> > o expressei nem de forma tão feliz quanto essa nem de algum modo
> infeliz qualquer...vc surfa muito pelos blogs,
> > é? Eu acho que reencontros, ironias existenciais com a lei das
> probabilidades, realidades alternadas e
> > alternativas, são, sem perder o espaço ou o foco de nossas
> imaginações transplanetárias, um grande modo de
> > trabalhar o afetivo também em termos fantásticos ou estritamente
> de fc. Se meditarmos um pouco como Philip
> > K.Dick, essa questão de qual é a verdade sobre um dado
> acontecimento é muito fértil e dá grandes textos...eu
> > acabo de ver O IMPOSTOR, um filme dickiano, tirado de um conto
> dele, com Gary Sinise, que lida, muito bem eu
> > achei, com a questão do verdadeiro e do falso...enfim! Essa foi só
> uma rápida reação mental aos segundos de boa
> > leitura que vc me proporcionou...abs ptt que continua lendo muito
> mais fora da net do que nela...
>

Anônimo disse...

Frank,
Muito obrigada pelas palavras.
Precisava "ouvir" algo assim, qdo li este e-mail.
Muito obrigada!!!!!!!!!

Que vc continue tão iluminado!!!!!

Bjos e paz,

Flávia Criss

be disse...

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