quarta-feira, novembro 30, 2005

O Direcionador

Seu nome era Zé das Flores. Era jardineiro da Praça da Igreja Matriz de São Bernardo do Campo. Amparando os canteiros, cortando as folhas, aguando as flores, Zé era conhecido por todos. Evangélico, não se importava em trabalhar nos arredores de uma Igreja Católica; sorridente, era o pastor das flores, Rei da grama.

“O Zé conversa com todo mundo, até com as plantas - conta o motorista de Táxi e acrescenta - É o único aqui que deve saber onde fica essa rua que você procura”.

- Seu Zé, boa tarde!- disse me aproximando.

- Boa tarde, filho. Aonde você quer ir?

Adivinho? Não! Seu Zé, alem de Jardineiro, ocupa o cargo de Direcionador de Pessoas. Conhece cada rua de São Bernardo como a palma do seu jardim.

- O Senhor conhece a Rua Tomé de Souza?
- Tomé de Souza – repetiu e três segundos depois respondeu – Pega a primeira à direita, depois a segunda à esquerda e sobe por ela. A Rua Tome de Souza é a terceira à esquerda.

É ver pra crer. Seu Zé sabia mesmo onde ficava a rua que nem o taxista conhecia. Rua que já estava registrada nas paginas amarelas da sua memória.

Tão logo agradeci, notei que outra pessoa surgia para pedir informação e outra e outra. Seu Zé continuou informando, com um detalhe: ele indicava a direção, sem deixar de fazer a sua jardinagem.

- Seu Zé – disse voltando a falar com o homem – Posso fazer uma outra pergunta?

- Pode perguntar – disse, sem tirar os olhos das flores.

- O senhor não se incomoda com tanta gente vindo pedir informação. Pelo que vi, é uma pessoa atrás da outra.

Seu Zé deixou de olhar as flores e me olhou com surpresa, mas logo respondeu:

- Não incomoda nadinha, filho. – disse Seu Zé sorrindo – Pelo contrario. Gosto de pensar que de alguma forma estou ajudando alguém a chegar ao caminho certo.


Frank
30 de Dezembro de 2005
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