segunda-feira, novembro 28, 2005

Ladrões de Sonhos

João veio do Rio, Jéssica de Minas. Conheci os dois na recepção de uma empresa de RH na Avenida Carlos Berrini. Fomos chamados até ali para uma entrevista de trabalho. O melhor de nos três ganharia o emprego dos sonhos e o salário das estrelas.
Pelo menos, essa era a proposta daquela empresa que havia selecionado os nossos cvs pela internet. João estava confiante, Jéssica nervosa e eu desconfiado.

A oferta era maravilhosa demais; o lugar muito perfeito. Muita pompa para uma vaga de supervisor de equipe. O nome da empresa me era familiar e não soava bem em minhas memórias. Não quis passar minhas suspeitas adiante, mas um instinto, uma voz interna parecia querer gritar em alerta: “É fria!”.

E era uma gelada.

Jéssica foi a primeira a entrar, ficamos eu e João conversando. Carioca da gema com roupa impecável e cara amassada, fruto de uma noite mal dormida na jornada de ônibus entre Rio e Sampa.

- Dormi muito mal! – dizia ele, com os olhos cheios de esperança em trocar a Cidade Maravilhosa por uma Sampa Enganosa que estava prestes a surgir a sua frente.

Quando vi Jéssica saindo da sala da entrevista tão rápido quanto entrou, não tive duvidas. Não havia alegria ou decepção nela e sim muita raiva. Era o “golpe da Agencia de Recolocação”.

Olhei para o meu amigo carioca e para os outros tantos Joãos, Franciscos e Jéssicas que esperavam e disse: “essa agencia é fachada. É mais uma agencia de
recolocação .”

Eles não entenderam e não se mexeram. Pelo olhar de João, percebi que ele ia ficar pra descobrir por si mesmo. Eu não ia ficar mais um minuto ali. Já tinha sido vitima de golpe assim antes, sabia que pagaria por um serviço de “coaching” que só existiria até o momento que o terceiro cheque caísse na conta deles.

Desci com Jéssica pelo elevador. Suas lágrimas desciam pelo rosto, mas a sua fisionomia era raiva pura.

- Eles me pediram dois mil reais – explicou ela – Dois mil reais para que eu tenha uma chance de disputar uma vaga para uma empresa que não tem nome. Como eles podem fazer isso? Por que não disseram que eles eram uma agencia de recolocação? Eu paguei um vôo de Belo Horizonte até aqui pra nada. – e continuou - Isso não se faz. Como eles conseguem dormir em paz sabendo que estão ganhando dinheiro enganando as pessoas?

Permaneci calado, mas sabia que eles dormiam muito bem com a cabeça sob seus travesseiros de dinheiro sujo, com a tranqüilidade de quem ganha muito roubando os sonhos de emprego dos outros. Porem, eu também sabia, que esse sono tranqüilo em breve iria se tornar pesadelo. Mais e mais profissionais estão acordando para esses golpes. Só aquela manha, dois sonâmbulos conseguiram despertar a tempo e eu espero que não só o João, mas todos os outros que estavam por lá, tenham conseguido sacar que agencia de emprego e RH só exige qualificação (e não dinheiro) dos candidatos que quer empregar.

28 de Novembro 2005

Frank

3 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom seu texto, Frank. Pergunto: por onde andará o Ministério Público paulista?....

hwidger@...

wcds@... disse...

Caro Frank, tb achei muito bom seu comentário. Eu mesmo quase ja participei de uma empresa de recolocação. Não posso lhe afirmar se era uma empresa honesta e confiante. Tive meus resceios e nao fechei nada. Se eu não me engano esse ultimo final de semana, passou na tv uma empresa que presta esse tipo de servico que so pensa no dinheiro das pessoas e recolocação mesmo nao tem nada. Realmente é dificil acreditar em tudo, pois sabemos que existem pessoas que se deitam todas as noites ja planejando como iram lucrar de forma desonestamente no dia seguinte. Posso estar enganado, mas uns dos maiores problemas hoje em dia é saber separar o joio do trigo, saber realmente o q é uma otima oportunidade ou um mal negocio.

be disse...

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