quarta-feira, outubro 26, 2005

Adolescentar

Ontem eu vi minha juventude passar por mim, no momento em que desejei ser mais velha, estar em outro lugar, ter outro corpo ou simplesmente deixar de ser assim; como eu sou, com me tornei, como o mundo me formou.
Então percebi que estamos sempre preocupados em ir pra frente e não desfrutamos o ficar aqui, o estar presente, o viver realmente esse meu adolescentar.
Percebi que estava deixando a magia pelas minhas mãos escapar como areia da praia, como água corrente que não consigo segurar; tudo isso por minha ansiedade em não conseguir pelo amanha esperar.
Senti que o meu aqui e agora, meu presente foi ficando assim distante, ausente; enquanto quem ainda não sou, lá do futuro, parecia me acenar.

Se já fosse eu, o amanha, perderia a chance de experimentar cada etapa desse meu despertar.
Não ouviria a melodia da harpa que se espalha pelo ar toda vez que estou próxima de por quem vou me apaixonar.
Perderia a chance de encenar o teatro de “Pais e Filhos” em que muitos dos conflitos só ocorrem para nos aproximar.
Perderia o riso nos encontros com as minhas amigas e aquele sorriso de menina boba a cada nova descoberta que compartilhamos uma com a outra.
Perderia, sobretudo, as canções que marcarão esses belos momentos da minha vida, que o “eu do futuro” tanto gostara de cantar e recordar.

Mas, graças aos céus, voltei do espaço e cai na terra e posso ainda ser pequena, imatura e não tão esperta, mas gosto desse meu ser, desse meu estar, desse meu adolescentar; pois daqui sinto que meu horizonte é gigante e o meu potencial vai longe, alem das curvas de quem eu sou e daquela que irei me tornar.



Frank
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